FÓLIO 2026 | CURSO DE TURISMO LITERÁRIO IMPULSIONA CRIAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS

A 6ª edição do Curso de Turismo Literário, que integra a oferta formativa da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO), tem as inscrições abertas na Academia Digital do Turismo de Portugal, entidade que tutela o estabelecimento de ensino. A formação de 75 horas terá início em novembro, e decorrerá online, às terças e às quintas-feiras, entre as 19 e as 22 horas. Haverá ainda dois momentos presenciais: uma visita a um espaço cultural e o jantar de encerramento, durante o Latitudes – Festival de Literatura e Viajantes.

Durante a apresentação do curso no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, Daniel Pinto, diretor da EHTO, destacou a importância do Curso de Turismo Literário para dar resposta à necessidade de criar produtos e serviços que valorizem as empresas e as associações do setor.

“O turismo é muito mais do que comida e bebida”, observou. Destinada a “adultos que precisam de formação complementar e de desenvolver uma rede de contactos”, a formação termina no início de março. “A escola é um sítio onde devemos ir até ao fim dos nossos dias”.

Ex-aluno do Curso de Turismo Literário, José Noras reconheceu que “ter contacto com uma realidade diferente foi importante para a aquisição de conhecimentos”, que está a aplicar na visita temática regular que o Município de Santarém organiza ao centro histórico. O historiador adiantou que também existe um percurso de José Saramago e já há uma empresa a recriar a viagem de Almeida Garret entre Lisboa e Santarém. “Gostava de criar um curso literário na ótica do feminino, a partir do trabalho literário de Adelaide Félix, sobretudo, em Santarém e no Estoril”, revelou.

Turismo negro

“Estamos a desenvolver, com o Município de Lisboa, a 5ª Semana Cultural dos Cemitérios, setor com um impacto extraordinário, porque os escritores acabam por ir lá parar”, afirmou José Noras.

“O turismo negro pode ser uma dimensão a explorar, contando a história da pessoa”, observou o diretor da EHTO. “Em Paris, visita-se a arquitetura dos jazigos e as pessoas que estão lá sepultadas”, complementou Ana Paula Marques, diretora coordenadora do Turismo de Portugal.

“Vamos para a 6ª edição e tem sido um percurso muitíssimo rico”, garantiu Marta Marques, coordenadora do Curso de Turismo Literário. “A qualidade dos alunos é muito elevada. Têm a sua visão do território e da ligação entre o território, literatura e turismo”, adiantou, dando como exemplo profissionais de turismo, de museus e de municípios. “Fazemos a ligação com a produção e a gestão dos mais diversos eventos literários” como o FÓLIO, acrescentou. “No ano passado, fomos visitar a casa de Vergílio Ferreira, em Melo. E já fizemos Fernando Pessoa. A deste ano é surpresa”.

Ana Paula Pais assegurou que as 12 escolas tuteladas pelo Turismo de Portugal no país constituem “uma rede pública única no mundo”. “Não há outro país como o nosso para formar pessoas para os setores da hotelaria e turismo”, sublinhou. “Ao longo dos anos, a indústria foi-se diversificando. As pessoas viajavam para um sítio e ficavam um mês. Havia muito investimento na área da hotelaria”, recordou. “Agora, gostam de comer e de beber com qualidade, mas procuram conhecimento sobre os locais e as suas tradições. Querem conhecer o que é diferente”.

Projeto para crianças

“Temos diversificado a oferta de formação para ir ao encontro do que é distinto no nosso país. Temos 1000 anos de História, o Brasil tem 500 anos e os Estados Unidos 250. Temos uma riqueza que deve ser conhecida para a podermos transformar num produto turístico”, afirmou Ana Paula Pais. “Hoje, somos o 11.º país mais atrativo do ponto de vista da dinâmica turística”, revelou. E a intenção é continuar a subir no ranking. “Temos um projeto para trabalhar com as crianças, para que descubram a riqueza das suas regiões. O Turismo de Portugal tem o dever de criar condições para que se possa conhecer a nossa cultura e o nosso património. Só assim Portugal continuará a ser um local distinto dos outros”.

O diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste deixou ainda o exemplo de um ex-aluno de Mogadouro que, após frequentar o Curso de Gestão e Produção de Pastelaria, criou o pastel “Os meus amores”, como forma de homenagear o escritor natural da região Trindade Coelho, autor de um livro de contos com o mesmo nome. “Ligou produtos endógenos, como os cogumelos e as casulas [vagens de feijão seco], com a literatura”, acrescentou. Daniel Pinto anunciou ainda que amanhã, dia 15 de outubro, será apresentado o Curso de Pastelaria Literária. “É um bom exemplo de como a literatura pode impulsionar projetos e cursos literários”.

Other Articles