Primeira edição do Festival Toupeiro afirma Óbidos como espaço de criação artística

A vila de Óbidos encerrou esta segunda-feira a edição de estreia do Festival Toupeiro, um evento dedicado às artes performativas que, durante todo o mês de agosto, transformou as ruas, praças e recantos da vila num espaço aberto de criação, encontro e experimentação artística.

Com uma programação diversificada e de entrada livre, a iniciativa reuniu criadores, residentes e visitantes, e cumpriu com o objetivo de diversificar a oferta cultural do concelho e dar uma nova vida à vila fora dos horários e dinâmicas habituais.

Assumindo-se como uma plataforma de oportunidades e desenvolvimento, o festival destacou-se enquanto palco de criação e apresentação de projetos emergentes, permitindo a artistas em ascensão partilhar os seus trabalhos ao lado de nomes já consagrados.

Ao longo de 31 dias, o festival ativou o espaço público com propostas que cruzaram teatro de rua, música, artes visuais e projetos multidisciplinares. A programação contou com nomes da música como Expresso Transatlântico, Ana Lua Caiano, Mike el Nite, Club Makumba e Paus, assim como artistas performativos como Fermín Morà, MC Fois, Ferzza Clown, Mr. Bang e Ola Muchin. O cartaz  incluiu ainda uma vertente dedicada a DJs – com atuações de DJ JOMI, DJ Akur, DJ Santana e VERO – e intervenções cenográficas ao vivo na Capela de São Martinho e na Cave do Solar de Santa Maria.

Na vertente expositiva, o festival possibilitou a visita a várias exposições como a mostra de fotografia “Onde é Difícil Ficar”, de João Porfírio, na Rua da Farmácia, e “Óbidos, convite à viagem”, de Ana Rita Manique. O percurso cultural contou ainda com a exposição “Afinidades Construídas”, na Galeria novaOgiva, e a mostra permanente no Museu Abílio de Mattos e Silva.

Para o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Filipe Daniel, esta primeira edição cumpre a missão de aproximar a arte da população: “Queríamos um festival de acesso universal, que levasse a criação contemporânea diretamente às nossas ruas e permitisse a quem vive ou visita Óbidos fruir da cultura de forma gratuita e espontânea. Esse objetivo foi amplamente conseguido”.

Ricardo Duque, vereador com o pelouro da Cultura, sublinha, por seu turno, a visão por detrás do evento: “O Toupeiro demonstra como a cultura deve ser assumida como uma política pública de proximidade e desenvolvimento territorial. Ao dar espaço a projetos emergentes, envolver as nossas associações locais e criar novas dinâmicas no espaço público, construímos um projeto sólido que valoriza tanto a identidade local como a inovação artística”.

Inspirado na história dos “Toupeiros” – epíteto associado à resiliência dos obidenses que, durante os cercos medievais, escavavam túneis para assegurar o abastecimento da vila – o festival encerra com o propósito cumprido de “escavar” novos caminhos nas artes performativas, e de aproximar a criação contemporânea do espaço público e da comunidade local.

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