Festival de Ópera de Óbidos encerra mais uma edição plena de sucesso e voltou a encantar o Oeste
Promovido pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, em parceria estratégica com o Município de Óbidos, o Festival de Ópera de Óbidos (FOO) decorreu entre 5 e 20 de setembro, com cinco espetáculos apresentados em sete sessões, quatro das quais com lotação esgotada, com mais de 2500 espectadores.
Com uma taxa média de ocupação de 97%, esta edição percorreu diferentes épocas, linguagens e formatos, em diálogo com o património e os equipamentos culturais do concelho.
Quatro apresentações esgotadas refletem forte adesão do público
A edição ficou marcada por duas grandes produções próprias: A Cinderela, ou o Triunfo da Bondade, de Rossini, com encenação de Pedro Ribeiro, e Orfeu e Eurídice, de Gluck, com encenação de Carlos Antunes.
As quatro récitas foram recebidas de forma apoteótica pelo público, que foi surpreendido pela criatividade das equipas artísticas e pelas excelentes performances de elencos e orquestras.
A Gala inaugural, apresentada na Praça da Criatividade, deu o mote inicial com a maior assistência de sempre desde o ressurgimento do Festival, reunindo 715 espectadores para uma noite lírica ao ar livre.
Pela primeira vez, o Festival integrou uma oratória na sua programação. Caim, ou o Primeiro Homicídio, de Alessandro Scarlatti, apresentado em coprodução com a Fundação Casa de Mateus. Destaque ainda para o recital De Purcell a Britten: mais de dois séculos de paixão shakespeariana, realizado no Museu Abílio de Mattos e Silva.
Um exemplo para levar a ópera além dos grandes centros
Para a diretora artística Carla Caramujo, “o sucesso desta edição confirma o festival como um espaço importante de descentralização e promoção da ópera em Portugal”. Uma visão que encontra eco nas palavras do Diretor-Geral das Artes, Américo Rodrigues, que durante esta edição destacou o papel do Festival num contexto em que “a concentração da oferta de ópera em Lisboa coloca questões de equidade e democracia”, apontando o Festival de Ópera de Óbidos como “um exemplo que devia inspirar outros territórios”.
O responsável sublinhou ainda o trabalho desenvolvido pelo Festival na aproximação da ópera a diferentes públicos, destacando a escolha dos espaços e a diversidade de programação sob a temática Luz e Trevas, que foi capaz de cruzar obras conhecidas com novas linguagens e propostas contemporâneas.
Palco para diferentes gerações da lírica
O Festival de Ópera de Óbidos tem também procurado afirmar-se como um espaço de encontro entre diferentes gerações e percursos da criação lírica, promovendo a transmissão de conhecimento e a colaboração entre artistas e estruturas.
Nesta edição, o palco reuniu intérpretes de diferentes gerações e momentos de carreira, cruzando nomes de reconhecido percurso, como Luís Rodrigues, Ana Quintans e a mezzo-soprano brasileira Luísa Francesconi, com artistas de uma geração em afirmação internacional, como Cláudia Ribas, Tiago Matos e João Terleira, e jovens intérpretes como Joana Santos e Helena Ressurreição.
O mesmo princípio esteve presente nas equipas artísticas. Na encenação, o Festival contou com Pedro Ribeiro e Carlos Antunes, enquanto a direção musical reuniu diferentes percursos: de Jan Wierzba e Pedro Carneiro à maestra britânica Julia Jones, responsável pela direção musical de A Cinderela, de Rossini. A edição contou ainda com a participação de diferentes estruturas musicais portuguesas, entre as quais a Orquestra das Beiras, a Orquestra Barroca de Mateus e a Orquestra de Câmara Portuguesa, reforçando uma lógica de colaboração e partilha de conhecimento entre artistas e instituições.
Uma parceria para afirmar Óbidos como território de ópera
Ao longo destas semanas o Festival ocupou diferentes espaços de Óbidos, da Praça da Criatividade à Igreja da Misericórdia, passando pelo Museu Abílio de Mattos e Silva, criando diferentes contextos de relação entre a ópera, o património e os públicos.
É, porém, o Convento de São Miguel das Gaeiras que se tem vindo a afirmar como o palco principal do Festival e como a casa da ópera no Oeste. Para José Rafael Rodrigues, diretor-geral do Festival, isso deve-se “ao trabalho de adaptação e melhoria contínua das condições técnicas e logísticas do espaço, que tem sido determinante para responder aos desafios específicos da produção operática e proporcionar melhores condições aos artistas e espectadores”.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Óbidos e responsável pelo pelouro da Cultura, Ricardo Duque, destaca a singularidade do Festival, considerando-o “um dos projetos culturais de Óbidos onde o processo criativo assume maior centralidade e onde existe uma clara vontade de arriscar, experimentar e criar”. Para o autarca, “a excelência artística, a valorização de novos talentos e a ousadia das criações são hoje marcas distintivas de um Festival que tem vindo a afirmar a sua identidade e a conquistar o reconhecimento do público e dos profissionais do setor”.
Ricardo Duque sublinha ainda que “este percurso resulta também de uma parceria sólida”, deixando o reconhecimento do Município à ABA, enquanto parceiro de excelência e à Direção Artística “pelo trabalho de curadoria e pela ambição colocada em cada edição, bem como a todas as equipas, artistas e profissionais que tornam possível um Festival que queremos cada vez mais relevante no panorama cultural nacional”.
Uma ambição partilhada pela direção artística do Festival. Carla Caramujo reforça o objetivo de “transformar Óbidos num farol inspirador da lírica nacional, cuja luz seja tão impactante e forte que possa perdurar e atravessar fronteiras”.
A afirmação do FOO tem sido acompanhada por um crescente reconhecimento institucional e pelo reforço das parcerias que sustentam o projeto, assinala José Rafael Rodrigues. O Alto Patrocínio do Presidente da República atribuído à edição de 2026 constitui um sinal desse reconhecimento, que se junta a confiança dos mecenas, Fundação “la Caixa” em colaboração com o BPI e Égide – Associação Portuguesa das Artes, cujo apoio tem sido determinante para a consolidação e crescimento do Festival.