FÓLIO 2026 | “UMA SOCIEDADE É FEITA DE PENSADORES E DE CRÍTICOS” – Crimildo Matola, vencedor do Prémio Fernando Leite Couto

Aos 28 anos, Crimildo A. Matola foi o vencedor do Prémio Fernando Leite Couto 2026. Professor em Maputo e a tirar outra licenciatura em Direito, escolheu o período do colonialismo para escrever um romance policial, em que aborda o racismo, o tráfico e o homicídio de mulheres, numa sociedade que protegia as elites e em que a maioria negra não tinha voz. Nesta entrevista, o jovem explica a importância da Internet para ter acesso a mais informação sobre a História de Moçambique, pois o período colonial só aparece nos livros escolares através dos heróis que libertaram o país.

O livro “O Último Segredo da Nação” revela conhecimento de uma época que não viveu. A que fontes recorreu?

Comecei este projeto motivado pelas pesquisas que fazia para dar aulas de História e Geografia, em 2023, no colégio privado de Maputo. Só em 2024 é que me despertou interesse para escrever um romance ficcional, mas como não temos muitos livros da História de Moçambique daquela época, usei artigos da Internet. Depois, percebi que era necessário procurar pessoas que viveram na época, para ter relatos mais vívidos dos acontecimentos. Foi pela memória do meu pai que dei mais vida à história. Conversávamos sobre como era a vida em Lourenço Marques [hoje, Maputo]. Na altura da independência, o meu pai tinha 11 ou 12 anos. Ele também vivia com relatos do meu falecido avô. Foram estas memórias que ajudaram a construir o livro.

A personagem principal do livro, Franco da Graça Simões, é desprezado por todos por ser mestiço. Os brancos que estão no poder dão-lhe funções menores, e os negros da zona onde vive consideram-no um traidor por trabalhar com brancos. Em quem se inspirou para criar esta personagem?

Esta personagem é inspirada nos autores moçambicanos da época, que produziram poesia de combate, como José Craveirinha, o Calane da Silva, que deram o seu contributo à luta de libertação nacional, através da escrita. Eles sofreram na pele por serem filhos de pais portugueses. Por isso é que os outros negros, a princípio, não os aceitavam. E, do lado português, eram considerados filhos bastardos. Viviam neste dilema de não terem identidade. Franco da Graça Simões teve como padrinho de batismo um português, patrão de seu pai. Era avesso ao regime e apoiava a ideia da independência do país. Depois, houve a Revolução dos Cravos, o 25 de Abril.

Ainda hoje, os filhos de pai branco português e mãe negra moçambicana são olhados de lado. Os tempos do colonialismo ainda estão entranhados na sociedade?

Ainda está enraizada esta leitura da sociedade moçambicana no período colonial, a questão da discriminação, às vezes de negro contra negro, pela ideia do status social que um ocupa, em detrimento do outro. Mas também de tribalismo ou de etnias diferentes. Temos 21 línguas locais e 10 províncias, e cada uma tem a sua identidade. E, dentro da mesma província, encontramos duas ou três etnias. Somos um país em que vivemos com culturas e hábitos diferentes.

A escritora Catarina Gomes escreveu o livro “Furriel Não é Nome de Pai”, em que conta a história de africanos que continuam à procura dos pais portugueses, e que são desconsiderados na sociedade por serem mestiços.

Conheço um bocadinho dessa realidade, através dos relatos. Em termos de escritores moçambicanos, Noémia de Sousa cresceu neste ambiente de ser filha de pai português e mãe moçambicana. Além dela, há muitas outras pessoas que criaram raízes em Moçambique, mas ainda procuram as suas origens. A procura de respostas é muito intensa. E, quando as achamos, sentimo-nos aliviados. A História do Moçambique não é muito retratada nos livros escolares e, com um bocadinho de pesquisa, acabamos descobrindo algumas realidades que são tabus, porque os mais velhos foram ensinados a não revelar. No livro, na zona do Chamanculo, onde a personagem vivia, as pessoas sussurravam, porque tinham medo de ser ouvidas por pessoas alheias ao movimento de libertação. Já se passaram 51 anos desde a independência, e continuamos a sentir isso.

Há um período da História que tentaram apagar?

Não chamaria uma tentativa de apagamento, mas a ideia de criar um heroísmo associado ao processo de libertação, e que deixa de fora as outras vivências. Uma forma de padronizar aquilo que se ensina, aquilo que circula nos media. Mas, de há uns tempos para cá, há muitos pesquisadores moçambicanos a escavar mais as origens, por exemplo, dos movimentos de libertação, do país e dos outros países lusófonos. Houve esta busca de criar uma identidade heróica da luta pela independência, o que não é mau. Gosto muito de trabalhar a ideia de identidade, de as pessoas conhecerem as suas origens.

Foi por isso que resgatou este período da História?

Sim. Quando comecei a pesquisar para as aulas, percebi que houve coisas que não estudei quando era aluno, e que ajudam a construir e a refletir sobre a identidade do país. Não nos tornámos cópia dos nossos avós e das ideologias que aprenderam com os nossos antepassados, mas pessoas críticas e que têm consciência dos movimentos à sua volta, através do conhecimento da História.

Nota uma mudança na sociedade, sobretudo dos mais jovens, por influência da Internet?

Os artigos que encontramos na Internet falam sobre esse período de Moçambique, que não estava disponível. Temos pesquisadores moçambicanos, nas áreas de mestrado e doutoramento, e alguns investigadores de carreira que vão vasculhando um pouco mais sobre a História. Vimos o documento oficial da transição do poder para a Frelimo, a 7 de setembro de 1974, e chamou-nos a atenção terem assinado várias pessoas do lado português, e só haver uma assinatura do lado moçambicano. Isso leva as pessoas a questionar o porquê de ter-se procedido dessa forma. As tomadas de decisões exigem a presença de conselheiros, não são pessoais. Não sou só eu que questiono, também se questiona nas redes sociais. No fundo, queremos que haja maior pluralismo de ideias e envolver mais pessoas na construção do futuro de Moçambique independente.

Medo, raiva, injustiça são sentimentos muito presentes no livro…

Sim, revolta, muitas vezes silenciosa. A 16 de junho de 1960, houve o Massacre de Mueda, na província de Cabo Delgado, por os camponeses se terem dirigido à administração portuguesa para exigir melhores condições de trabalho e a libertação das suas terras. Foram reivindicar um direito e exigir a independência e, por conta desta atitude pacífica, acabaram massacradas. Esta ideia de que o processo colonial também trouxe terror ao povo moçambicano acaba marcando as personagens. Franco age de forma contrária, quando lhe dão ordem para não investigar os processos das raparigas desaparecidas e mortas. Ouvir os relatos das famílias cria-lhe revolta. Se somos humanos iguais a eles, porque temos de ser tratados de forma diferente? Além do processo colonial, hoje temos tráfico de seres humanos, para serem escravizados. Olham para o outro como uma mercadoria, como alguém inferior. É esta revolta que carrega este polícia. A consciência mandava-o ir à luta e a consciência das pessoas à volta dele mandava-as ficar caladas, porque tinham noção de que se falassem contra o regime podiam ser denunciadas.

Ainda resta na sociedade moçambicana um certo desprezo pelos portugueses, 51 anos depois da independência?

Não interpretaria como desprezo. É uma questão mais profunda. O africano, hoje, tem acesso à Internet e a outras plataformas, e consegue perceber a diferença no desenvolvimento das comunidades africanas, em relação às europeias. África associa essa falta de desenvolvimento ao facto de termos sido colonizados quase cinco séculos. Enquanto a Europa evoluía tecnicamente, industrialmente e intelectualmente, África ficava para trás. As pessoas interpretam como anos de estagnação, de desigualdade e de falta de oportunidades para o povo moçambicano, porque se privilegiavam os portugueses. As sociedades estão em constante mudança, e o que vejo são pessoas que querem ir à luta para melhorar a sua situação, através dos estudos e do empreendedorismo. Temos uma crescente camada jovem que não se contenta em fazer apenas uma licenciatura, e uma sociedade que não se prende muito a uma única área de trabalho.

Entre os livros de autores portugueses, quais os que o marcaram mais?

Cresci com gente que lê mais os autores clássicos, mas destaco Almeida Garrett, José Saramago, Lobo Antunes, que foi uma leitura muito difícil, e recentemente conheci Vergílio Ferreira. A ideia de ler autores novos é uma busca minha. Tenho comprado livros de autores portugueses.

Em cada capítulo do livro faz uma referência bibliográfica, pelo que concluo que tenha tido acesso a livros. Considera-se um privilegiado por isso?

Considerando a forma como está a sociedade moçambicana, considero-me privilegiado por poder ter contacto com os livros, e gostaria que mais pessoas também tivessem. A literatura e a cultura não eram valorizadas, mas são não só um meio de entretenimento, como um meio de preservar memórias, de contar histórias e vivências. Sempre valorizei a escrita, a literatura como um todo, porque gosto de histórias. Com finais felizes, melhor ainda. As histórias fazem-nos viajar, conhecer outros lugares. Já conhecia muito de Portugal antes mesmo de vir cá, e conheço um pouco de Espanha pelas leituras que faço. Tenho curiosidade de conhecer outras geografias, mas nunca me perco da identidade moçambicana.

Mencionou que Noémia de Sousa e Paulina Chiziane são das poucas escritoras moçambicanas, num mundo em que os homens têm mais oportunidades, tanto que, muitas vezes, são os homens que têm de dar voz às mulheres nas obras literárias. Porque é que isso acontece?

Essa é a pergunta de um milhão. O reflexo não é só na literatura. É em toda a sociedade. Quase em todas as áreas de atividade temos predominância dos homens. E na literatura não é diferente. Noémia de Sousa e a Paulina Chiziane são consideradas cânones da literatura moçambicana. Fazem parte deste grupo dos autores clássicos, de leitura quase inevitável em Moçambique.

Depois, acabam sendo os homens a dar voz às mulheres, porque se calhar têm um bocadinho mais de liberdade de escrita. Mas isso era mais nos tempos passados. A Énia Lipanga tem uma escrita muito transversal. Fala muito sobre o feminismo e a ideia de liberdade das mulheres. Se recuarmos 20 ou 30 anos, não era algo muito comum, não só na literatura moçambicana como na literatura universal. A escrita feita por mulheres tem muito esta ideia de romper os estigmas e os estereótipos que foram criados à sua volta. Mostrar que na sociedade há lugar para todos criarem, serem reconhecidos e poderem trabalhar.

A Paulina Chiziane é uma deusa da literatura moçambicana e da literatura africana. No início do ano, foi galardoada como a melhor escritora africana do ano, e também já foi premiada com o Prémio Camões. Ter vozes como estas, que também preservam a cultura moçambicana e a tradição oral, é muito importante para nós. Conseguimos rever na escrita das mulheres moçambicanas as oportunidades que muitas delas não tiveram de ter escolaridade, naquela época.

Os homens acabavam tendo o privilégio de estudar um pouco mais, porque eram eles que eram levados para fazer trabalhos técnicos. E as mulheres tinham de terminar os estudos para ingressarem nos trabalhos que tinham a ver com enfermagem. O saber ler e escrever era a prioridade do processo de escolarização, e não a ideia de criar intelectuais, pessoas produtoras de conhecimento, escritores, advogados ou outros que intervinham na sociedade.

Moçambique também vive um pouco destes estereótipos. Muito mais pela memória do que vê dos outros, do que ouve dos outros e do que vive dos outros. Mas hoje já temos mais liberdade. Os governos moçambicanos dos últimos 20 anos têm posto mulheres nos lugares de governação. Hoje, a sociedade moçambicana tem oportunidades para homens e mulheres, há maior empregabilidade e maior liberdade de criação dos dois lados.

Paulina Chiziane retrata que Moçambique, quando se tornou independente, também teve défice de industrialização, o que levou muitos homens a emigrar para África do Sul, sobretudo para trabalhar nas minas, dando continuidade ao que acontecia no período colonial, através de um contrato entre o governo colonial português e o sul-africano. Alguns, iam ao início do ano e só voltavam no final do ano. Nesse período, as mulheres tornavam-se mães e pais, porque tinham de procurar sustento para os filhos. Tinham de levá-los à escola, vesti-los, alimentá-los e tudo mais. Até que, de há 10 a 15 anos, surgiu esta crescente desvalorização das condições de vida na África do Sul. Por isso, o processo migratório também mudou. Ao invés de termos moçambicanos a irem para outros países africanos, hoje temos muitos moçambicanos, e africanos no geral, a procurarem caminhos de chegar à Europa, onde há mais oportunidades.

Em “Niketche: Uma História de Poligamia”, publicado em 2002, Paulina Chiziane retrata a sociedade moçambicana como uma poligamia. Hoje, continua a ser assim?

Acaba sendo um assunto tabu, muitas vezes, mas continua a existir. Em Moçambique, há uma expressão muito engraçada. Diz-se que quem não tem irmão do lado de pai está a falhar na vida. A lei reconhece os filhos fora do casamento, e determina que o casamento religioso, civil ou união de facto gera deveres e direitos, também para os filhos fora do casamento.

Como é que os jovens olham para esta realidade?

Acaba sendo algo muito enraizado na sociedade, ao ponto de ser uma alegria conhecer alguém dos nossos. É mais válido saber que temos um irmão, mesmo fora de casamento, do que viver sem saber. É aquela ideia do laço de sangue e de que os nossos devem estar sempre ao pé de nós. Este fenómeno não é valorizado, porque consideramos que alguém tem de ter honra, respeito e consideração dentro do seu casamento. Mas, quando isto acontece, a princípio não é bem visto, mas acaba sendo uma alegria para os irmãos saberem que têm outro irmão. Em Moçambique, tradicionalmente, não há a ideia de herança. Os jovens sabem que, quando atingirem uma certa idade e quando tiverem uma certa estabilidade, vão ter de fazer a sua casa e construir as suas famílias. Não há a ideia de que a casa e as coisas do meu pai vão tornar-se minhas. A casa dos pais acaba sendo aquele lugar em que vão matar as saudades. Em Moçambique, não há lares de idosos. Os mais velhos vivem em suas casas e os filhos ou netos cuidam deles. Há suporte entre as pessoas.

Como é que as mulheres com quem esses homens casavam, encaram a ideia de eles terem filhos de outras mulheres?

Tradicionalmente, não se podia impedir o homem de ter mais de uma esposa. Naquela altura, não era amante, era mesmo esposa, e coabitavam no mesmo espaço. Também havia muito a ideia, no período colonial, de que éramos poucos africanos. Então, tínhamos de nos multiplicar ao passo para podermos lutar pela nossa independência. Então, não se questionava muito a ideia de um homem ter duas ou três esposas. Havia famílias com 30 filhos. Para ter forma de os sustentar desenvolveu-se muito a agricultura e a pecuária familiar. Cada esposa tinha sua machamba [terreno agrícola] e os filhos ajudavam.

Era a mulher quem punha a comida no prato dos filhos…

Era a mulher, sim. O homem orientava a forma como se devia fazer. Era considerado o chefe de família, como se fosse um pequeno rei. E os pais, nessa altura, tinham o poder de escolher as esposas para os seus filhos e o seu destino. Viviam em comunidade. No mesmo terreno em que o pai tinha uma casa, acrescentava-se mais uma palhota para o filho, e outra palhota para outro filho. A ideia de expansão preservava o nome da família e a continuidade das gerações.

Qual era o papel da mulher?

Para os registos, toda a mulher que não tem um emprego formal é doméstica. No fundo, o seu papel remete-se a cuidar do lar e dos filhos. Em algumas regiões muito recônditas, continua a ser assim. As crianças só estudam para saber ler e escrever, e depois vão aos campos trabalhar e cuidar do gado. Há a ideia de que vai poder viver a vida como quiser, sem ser escravo de ninguém. Considera-se que ter um emprego formal é ser escravo de alguém.

Qual a importância desta residência literária para o seu desenvolvimento enquanto escritor e esta experiência de estar no FÓLIO?

Esta experiência tem duas vertentes. Na vertente pessoal, há um maior engajamento de mim próprio dentro da literatura, conhecendo outros autores, outras visões sobre o que é a literatura, buscando novas abordagens, mecanismos e passos sobre como escrever e, sobretudo, como olhar para as coisas à minha volta, como elementos que sustentam a minha escrita. De um lado mais genérico, procuro experiências que possam contribuir para o desenvolvimento da literatura moçambicana. O FÓLIO é um exemplo de sucesso em termos de organização de eventos culturais voltados para a literatura. É disso que Moçambique precisa, porque tem muitos autores, muitos fazedores de literatura, mas alguns ainda não estão publicados. Ou, se estão, não estão a vender, porque não há um espaço de promoção da literatura moçambicana.

O que pretende que os leitores aprendam com Franco da Graça Simões?

A resposta é simples, mas difícil de cumprir. Não se calem. Quando virem uma injustiça, falem. Quando virem um crime, denunciem. Quando virem um poderoso a abusar de um fraco, intervenham. Não precisam de ser heróis. Não precisam de ser mártir. Precisam apenas de ser humanos. E de se lembrarem que o silêncio é cúmplice. E que a cumplicidade, mais cedo ou mais tarde, cobra o seu preço. E isso é a única coisa que nos pode salvar.

Temos uma sociedade com pessoas muito abastadas e pessoas que vivem na miséria. Temos pessoas que não conhecem os seus direitos. Há muitas organizações não-governamentais em Moçambique que lutam pela promoção do acesso à justiça. Há falta de conhecimento dos procedimentos legais, que levam pessoas a perderem terrenos, a perderem seus bens, a serem injustiçadas, o que consideram normal, por desconhecerem os seus direitos. É preciso mais união e entreajuda, para que se possa promover um crescimento mútuo. Não é justo termos pessoas com oportunidades de crescer intelectualmente, profissionalmente e materialmente, e outras que, por não terem acesso à informação ou formação, acabam ficando estagnadas no tempo. As sociedades, no geral, têm normalizado coisas que não deveriam ser aceites. É preciso promover espaços em que as pessoas se sintam livres para pensar, para dizerem o que pensam, para criar. A sociedade tem de estar aberta a discutir ideias.

Que papel pode ter a literatura, nesse contexto?

A literatura tem de servir como um estimulante, para que as pessoas criem a sua própria capacidade de raciocínio. A forma como me posiciono na sociedade não é fruto apenas do que ouvi dos outros. É fruto daquilo que li, daquilo que pesquisei, da forma como aprendi a ler o mundo. Ler o mundo pelos olhos dos outros não é a mesma coisa que ler pelos próprios olhos. Os olhos dos outros são enganosos, em alguns aspectos.

A literatura deve ser usada como um meio de preservação, como um meio de consciencialização das diferentes realidades, dos diferentes mundos e das diferentes oportunidades que existem. As pessoas não podem estar fechadas numa bolha. Precisam de abrir-se para o mundo. O currículo tem de valorizar mais a literatura, porque uma sociedade não é feita só de pessoas especializadas, técnicos e engenheiros. Uma sociedade é feita de pensadores e de críticos. É preciso que haja pessoas que se acordam umas às outras e digam que é preciso mudar.

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