FÓLIO 2026 | Financiamento desbloqueia internacionalização de autores portugueses

Uma comitiva de 11 editores europeus e um brasileiro reuniu-se, em outubro, com editores portugueses, na Casa Comum, em Lisboa, e no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, para analisar a possibilidade de internacionalizar obras de autores nacionais. A expectativa é que as linhas de financiamento da DGLAB – Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e da Europa Criativa, para tradução e publicação de livros – nas quais os editores estrangeiros manifestaram interesse – ajudem a promover a venda de direitos de autor de obras portuguesas noutros países.

Promovida pela AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, em parceria com o Centro de Informação Europa Criativa, a 10ª edição do Encontro Internacional de Editores contou, pela primeira vez, com a presença de um profissional do Brasil. “Tem um poder de compra considerável e ficou muito interessado na linha de apoio específica para o Brasil da DGLAB”, assegura Ana Luísa Fonseca, gestora da fileira Indústrias Culturais e Criativas da AICEP.

Ana Luísa Fonseca conta que o editor belga, especialista em literatura infanto-juvenil, quis conhecer a Livraria “O Bichinho de Conto”, na antiga escola primária de Casais Brancos, em Óbidos, pertencente à escritora, ilustradora e curadora do FÓLIO Ilustra Mafalda Milhões, onde esteve com as editoras da Lituânia, que também integravam a comitiva. Destaca ainda o interesse do editor irlandês e da editora sueca, que já traduziu alguns autores portugueses e ficou de regressar a Portugal em novembro.

Embora desconheça se o encontro irá resultar em negócios ou em venda de direitos, a gestora da fileira das Indústrias Culturais e Criativas da AICEP garante que, após as conversas, os encontros de networking e as reuniões Business-to-Business (B2B), os editores estrangeiros ficaram “surpreendidos” com o FÓLIO e com as conversas B2B. “Os editores portugueses que estavam mais à-vontade a falar inglês conseguiram cativar os editores estrangeiros, que gostaram muito de estar em Portugal.”

Setor pujante

Sara Machado, responsável cultural da Europa Criativa, em Portugal, acrescenta que os editores europeus representam mercados literários distintos, sendo Itália, Espanha e Irlanda os mais fortes. Participaram nos encontros editoras de maior dimensão, como a Leya e a Porto Editora, e editoras de média dimensão.

“Independentemente da escala, queremos internacionalizar os autores e a literatura europeia, para contribuir para haver uma maior diversidade”, explica. “A grande maioria veio comprar ou conhecer autores portugueses. O retorno que nos deram foi de um setor pujante e ativo, em que se publicam muitos autores”.

“O território está muito vibrante no que diz respeito a festivais literários, mas estranharam não termos uma feira do livro para profissionais”, revela a responsável cultural da Europa Criativa, em Portugal. O IVA, o preço fixo, o número de livros publicados por ano e o mercado dos audiobooks e ebooks foram outros assuntos abordados no encontro, onde é habitual compararem mercados. “Temos desafios e obstáculos em comum: a chegada a novos públicos e ganhar a atenção das pessoas, num mundo em que estamos rodeados de estímulos”.

“A Europa Criativa é um projeto europeu, que abrange 41 países, em que são desenvolvidos projetos de criação literária e de incentivo à leitura, que podem englobar editores, livreiros, bibliotecas, feiras do livro e festivais literários”, explica Sara Machado. “Divulgamos oportunidades, atribuímos financiamento por concurso, para publicar e para traduzir, apoiamos quem pretender concorrer, e promovemos parcerias e encontros entre diferentes países”, esclarece. “Somos um país periférico e nem sempre é fácil ir à Feira do Livro de Frankfurt ou de Bolonha”, justifica.

Este ano, foi a terceira vez que a Europa Criativa colaborou com a AICEP. “Permite-nos ganhar escala e juntar esforços para trazer a Portugal mais representação geográfica”, acredita a responsável cultural da Europa Criativa, em Portugal. O Encontro Internacional de Editores decorreu ao longo de quatro dias, em Lisboa e em Óbidos. Nos primeiros dias, assistiram ainda a uma apresentação da APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, para conhecerem melhor o mercado livreiro, e da DGLAB, em que foram informados sobre as linhas de financiamento à tradução.

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