FÓLIO 2026 | Candidatura a Capital Portuguesa da Cultura assenta numa estratégia de longo prazo e na participação da comunidade
É através da participação da comunidade, e assente numa visão estratégia que coloca a cultura no centro do desenvolvimento do território, que está a ser construída a candidatura de Óbidos a Capital Portuguesa da Cultura 2028. A explicação foi dada esta sexta-feira no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos por Ricardo Duque, vereador da Cultura do Município, durante uma conversa com munícipes, representantes de associações e agentes culturais.
O encontro, subordinado ao tema “Óbidos 2028: Ler o Território. Escrever o Futuro”, e realizado com o objetivo de recolher contributos para uma candidatura que pretende “projetar o concelho, valorizar a sua identidade e deixar um legado duradouro”, partiu de cinco questões fundamentais: como garantir o acesso de todos à cultura e ao conhecimento, que projetos e experiências culturais criar em 2028, como valorizar a identidade das freguesias e envolver a comunidade, como projetar Óbidos internacionalmente, e ainda que transformação se pretende deixar às próximas gerações.
Ao todo, foram recolhidos 28 contributos. As propostas abrangeram diferentes dimensões da política cultural, desde a criação de novos espaços e circuitos culturais à valorização do património, à programação, e ao reforço do envolvimento das comunidades.
Para Ricardo Duque, este processo representa uma oportunidade para pensar o futuro cultural do concelho de forma participada, articulando a identidade do território com novas ambições.
A candidatura, a submeter a 3 de dezembro, pretende consolidar uma política cultural que não se esgote num ano de programação, mas que produza efeitos duradouros na vida das pessoas, na dinâmica das freguesias e na projeção externa de Óbidos.
2028 como oportunidade para consolidar o legado cultural
No encontro, Ricardo Duque recordou que a programação prevista para 2028 poderá incluir um festival de poesia, um festival infantil e juvenil, um evento dedicado à arte contemporânea e uma bienal de ilustração. Estas iniciativas pretendem alargar públicos, criar novas oportunidades para artistas, e reforçar a presença da cultura em diferentes momentos e espaços do território.
A candidatura organiza-se em torno de sete eixos: ler, escrever, narrar, imaginar, habitar, partilhar e permanecer. Combinados, traduzem uma visão abrangente da cultura, entendida não apenas como programação artística, mas também como instrumento de participação, coesão territorial e desenvolvimento.
“A programação tem de ser feita a pensar em todos”, sublinhou o vereador, defendendo que o objetivo é deixar um legado e dar continuidade à política pública cultural do concelho através de um processo participado.
Ricardo Duque destacou ainda o investimento municipal na cultura, que representa cerca de 17% do orçamento do Município. “Não assumimos a cultura como um custo, mas como um investimento”, afirmou, enquadrando esta opção numa estratégia desenvolvida ao longo das últimas duas décadas, baseada na convicção de que a cultura pode transformar o território.
A literatura assume um papel agregador nesta estratégia, ligando educação, criação artística, identidade e internacionalização. Uma visão que procura também afirmar a capacidade dos territórios de menor dimensão para produzir cultura, atrair públicos, e gerar oportunidades fora dos grandes centros urbanos.
A candidatura de Óbidos a Capital Portuguesa da Cultura 2028 pretende, assim, afirmar uma política cultural estruturada, participada e orientada para o futuro, capaz de valorizar o património material e imaterial do concelho, reforçar o acesso à cultura, e consolidar o posicionamento de Óbidos no panorama cultural nacional e internacional.
A cidade vencedora receberá um milhão de euros.