Festival Toupeiro prepara-se para transformar Óbidos num palco de criação, descoberta e artes performativas
Óbidos recebe, ao longo de todo o mês de agosto, a primeira edição do Festival Toupeiro, uma nova proposta cultural dedicada às artes performativas que promete transformar a vila num espaço de criação, encontro e descoberta. Inspirado na lendária história dos “Toupeiros” de Óbidos, o festival assume-se como um território aberto à experimentação artística, reunindo música, teatro, exposições, dança, artes visuais e projetos multidisciplinares.
No decorrer do festival, diversos espaços da vila serão ativados diariamente por intervenções artísticas, transformando ruas, praças e locais inesperados em pontos de encontro entre criadores, comunidade e visitantes. O festival valoriza a surpresa, a descoberta e a participação, reforçando Óbidos como um território culturalmente inovador e aberto à contemporaneidade.
A edição de estreia apresenta uma programação eclética, que cruza circo contemporâneo, teatro de rua, música, humor, cabaret, performances e criação comunitária. Ao longo de todo o mês de agosto, a vila acolhe artistas e companhias nacionais e internacionais como Mr. Bang, Mimo Huenchulaf, Ana Lua Caiano, El Teatrero, Mike El Nite, Expresso Transatlântico, Benjamin Delmas, Madame Pistache, Cais Sodré Funk Connection, Club Makumba, Circanelo ou os Los Two – Cabaret Show. Há ainda exposições para ver no Museu Abílio de Mattos e Silva, na Galeria novaOgiva, no Jardim da Livraria do Mercado e na Rua da Farmácia.
A programação distingue-se também pela forte participação da comunidade local, envolvendo grupos de folclore, as juntas de freguesia do concelho, filarmónicas e outros grupos tradicionais, que assumem igualmente um papel ativo através de intervenções performativas concebidas para integrar o espírito do festival.
Esta dimensão comunitária reforça, de resto, um dos principais objetivos do evento: fazer da cultura um espaço de encontro entre artistas, habitantes e visitantes, onde o património, a criação contemporânea e a identidade local se cruzam de forma natural.
Para Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, o “’Toupeiro’ representa, justamente, “uma nova etapa na afirmação de Óbidos como um território de criação artística e inovação cultural, mas sempre sustentado na sua história, na sua identidade”.
“Inspirámo-nos numa das nossas mais emblemáticas histórias para construir um projeto contemporâneo, aberto à experimentação, que coloca a arte no espaço público e envolve toda a comunidade. Queremos que residentes e visitantes descubram uma vila em permanente transformação, onde o património dialoga com novas linguagens artísticas e onde a cultura continua a ser um motor de desenvolvimento do território”.
O autarca destaca ainda que “esta é uma aposta que reforça a estratégia cultural do Município, complementando a programação anual de Óbidos e consolidando o concelho como um destino onde a cultura acontece durante todo o ano, através de projetos que juntam criatividade, participação e valorização da identidade local”.
Ricardo Duque, vereador com o pelouro da Cultura na autarquia, sustenta que o “Toupeiro” traduz “a vontade de continuar a desafiar a forma como vivemos e experimentamos a cultura em Óbidos”.
“É um festival que parte da nossa identidade para criar novas narrativas, abrindo espaço à experimentação artística e ao encontro entre diferentes linguagens, artistas e públicos. Ao envolver artistas nacionais e internacionais, mas também os ranchos, as bandas filarmónicas e outros grupos tradicionais, as freguesias e a comunidade local, o ‘Toupeiro’ constrói uma programação que nasce do território e das pessoas. Acreditamos que a cultura ganha maior significado quando é vivida, partilhada e construída em conjunto”.
Símbolo de criatividade, resiliência e da capacidade de encontrar novos caminhos
O nome do festival nasce de uma das mais conhecidas lendas locais. Conta a tradição que, durante os cercos medievais à vila, os habitantes de Óbidos terão escavado túneis sob as muralhas para garantir o abastecimento de alimentos, surpreendendo os invasores pela sua resistência e engenho. Dessa história surgiu o epíteto “Toupeiros”, ainda hoje associado aos obidenses, símbolo de criatividade, resiliência e da capacidade de encontrar novos caminhos.
É precisamente essa herança que inspira o conceito do festival. Tal como os antigos habitantes escavavam túneis para garantir a sobrevivência da vila, o Festival Toupeiro pretende “escavar” novas possibilidades artísticas, promovendo experiências que desafiam formatos convencionais e aproximam os públicos de diferentes linguagens contemporâneas.
Sobre a identidade visual
Desenvolvida a partir da imagem da toupeira e dos seus percursos subterrâneos, a linguagem gráfica traduz-se em formas orgânicas, caminhos fluidos e cores vibrantes que evocam movimento, criatividade e transformação. Os túneis tornam-se metáfora dos processos criativos e das ligações invisíveis que a arte é capaz de construir entre pessoas, lugares e ideias.
A componente visual estende-se também ao espaço público, através de propostas de iluminação e intervenções urbanas que pretendem criar uma atmosfera imersiva e sensorial, fazendo da própria vila uma extensão da experiência artística.
O Festival Toupeiro decorre de 1 a 31 de agosto. A entrada é livre.