Três gerações depois, a Região vai ter rede de rega

A ministra da Agricultura e do Mar esteve hoje, 22 de julho, em Óbidos, para a apresentação do projeto do regadio das Baixas de Óbidos, um investimento público de 22,2 milhões euros. “A água é um fator crítico” para a Agricultura e, por isso, a aposta do Governo em avançar com este projeto, afirmou Assunção Cristas.

Para Humberto Marques, este “é um dia extraordinariamente importante para o nosso território, para Óbidos, para o Bombarral, para a Região e para o País”. O presidente da Câmara Municipal de Óbidos recordou o muito tempo de espera dos agricultores por esta infraestrutura. “A História deste projeto circunscreve três gerações”, conta o autarca, que sublinhou “o grande empenho” do Município de Óbidos para que a obra avançasse.

O edil realçou o financiamento “em condições ímpares”, uma vez que é conseguido ao abrigo do novo quadro comunitário de apoio, mas com as regras do anterior, “permitindo Óbidos sonhar e concretizar um investimento de 22 milhões de euros”. Uma ideia também sublinhada por Assunção Cristas, que disse mesmo que “o regadio de Óbidos é o exemplo dessa transição: regras antigas com dinheiro novo”.

Humberto Marques afirmou ainda que a rede de rega é um projeto com visão, uma vez que “com este investimento pode aumentar-se o PIB agrícola em mais duas vezes e meia”. Também com o aumento da produção, há o consequente aumento do número de postos de trabalho. Por tudo isto, “este é, de facto, um investimento que tem de ser aproveitado”, sublinhou.

Humberto Marques apelou à “mobilização de todos os agricultores para se organizarem em estruturas que valorizem os nossos produtos” para que haja um “equilíbrio de forças na cadeia de distribuição”. E nesta lógica, o presidente da Câmara Municipal de Óbidos deixou um desafio a Assunção Cristas: “O País precisa que o preço pago pelo consumidor por qualquer produto agrícola seja redistribuído justamente por todos os agentes da cadeia de valor. A Câmara não se vai demitir do seu papel”.

Telmo Faria, por seu lado, garantiu que, depois dos investimentos feitos na última década, “esta rede de rega é um grande pretexto para repensarmos os modos de produção, os tipos de culturas e a forma de organização”. “Não podemos ter muita gente a trabalhar e a empobrecer ao mesmo tempo”, afirmou o presidente da Assembleia Municipal, garantindo que esta obra “é um mundo novo que se abre à nossa frente, uma grande oportunidade de desenvolvimento”.

Assunção Cristas destacou “a imensa prova de resistência” dos agricultores da região, sublinhando o papel da Câmara Municipal de Óbidos em todo este processo. “Somos sensíveis a estas questões e percebemos quando há vontade muito grande de um território em querer progredir”, afirmou.

Luís Honorato, da Associação de Regantes das Baixas de Óbidos, declarou que “os agricultores [da região] sempre acreditaram, desde os anos 80, na concretização deste projeto” que é, em seu entender, “uma obra fundamental para o concelho de Óbidos”.

Tecnicamente, este é um projeto ambicioso. Vai ser construída uma estação elevatória que vai permitir fornecer água filtrada aos agricultores, através de 50 quilómetros de tubagens e cerca de 1,5 litros de água por segundo, por hectare. Serão disponibilizadas 400 tomadas de água, o que perfaz 3 tomadas por hectare, aos quase mil agricultores abrangidos. É o maior investimento público feito no concelho de Óbidos.

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