Semana Santa de Óbidos 2015 junta programas religioso e cultural
A Semana Santa de Óbidos, um dos melhores cartazes da Vila, decorre de 29 de março a 5 de abril. Todos os anos, as cerimónias religiosas e culturais atraem milhares de pessoas nesta época do ano à vila de Óbidos. Recorde-se que estas cerimónias são das mais antigas do País, tendo a procissão dos Passos mais de 400 anos de existência.
A Semana Santa é, por isso, o ponto alto do calendário litúrgico e cultural de Óbidos, sendo um acontecimento religioso importante para comunidade local, assim como para os vários milhares de peregrinos e turistas que assistem às imponentes cerimónias. A Procissão da Ordem Terceira, realizada no dia 22 de Fevereiro, abriu as celebrações da Semana Santa que, à semelhança de outros anos, terá diversos concertos de música clássica, essencialmente de teor religioso, entre outras atividades culturais.
Semana Santa 2015
27 MARÇO | SEXTA-FEIRA
18h00 Inauguração da Exposição “Passagens”
Galeria Casa do Pelourinho,
Exposição aberta até dia 5 de abril
28 MARÇO | SÁBADO
21h30 Procissão da Mudança das Imagens
As imagens do Senhor Jesus dos Passos e Nossa Senhora das Dores são transportadas para um novo local…
Saída: Igreja da Misericórdia
29 DE MARÇO | DOMINGO
15h00 Bênção e Procissão dos Ramos
Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém
Saída: Museu Paroquial de São João
15h30 Missa de Ramos na Paixão do Senhor
Hossana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel
Igreja de Santa Maria
17h00 Procissão dos Passos
Jesus a caminho do Calvário
Saída: Igreja de Santa Maria
31 DE MARÇO | TERÇA-FEIRA
21h30 Concerto de Páscoa
Alma Nova – Grupo Coral e Instrumental do Concelho de Óbidos
Sinfonietta de Óbidos
Igreja de Santa Maria
Entrada Livre
1 DE ABRIL | QUARTA-FEIRA
15h00 Visita Guiada: Património Religioso de Óbidos
Encontro: Posto de Turismo de Óbidos
21h30 Recital sobre a “Morte e o Amor” com o Grupo Altus Continuus
Soprano: Mariana Cardoso | Mezzo-soprano: Mariana Monteiro | Violoncelo: Joana Correia | Cravo: João Andrade Nunes
Igreja de Santa Maria
Entrada Livre
2 DE ABRIL | QUINTA-FEIRA
15 às 17h00 “Música nas Igrejas“
Igreja de Santa Maria: Órgão: Pedro Salsa Crisóstomo | Oboé: Pedro Santos Filipe
Igreja São Pedro: Violoncelo: Tiago Vila | Violino: Hugo Mendes | Oboé: Linda Comendinha
Igreja de São João Baptista: Duo de Flautas Transversais: Micaela Pinheiro e Daniela Pinheiro
21h00 Missa Vespertina da Ceia do Senhor
Igreja de São Pedro
3 DE ABRIL | SEXTA-FEIRA SANTA
10h00 Ofício de Leituras e Laudes
15h00 Celebração da Paixão do Senhor
O sofrimento, a solidão e a angústia de Jesus perante a sua condenação à morte…
Igreja de São Pedro
17h00 Via Sacra
Vila de Óbidos
21h30 Procissão do Enterro do Senhor
À luz de archotes, percorre-se a Vila levando o Senhor até ao Sepulcro…
Saída: Igreja da Misericórdia
4 DE ABRIL | SÁBADO
10h00 Ofício de Leituras e Laudes
22h00 Vigília Pascal
Noite Pascal, Vigília da Vida…
Igreja de São Pedro
5 DE ABRIL | DOMINGO DE PÁSCOA
17h00 Missa da Ressurreição
Igreja de São Pedro
Semana Santa de Óbidos
Um Pouco de História
Óbidos continua a ser palco de celebrações de acontecimentos de índole histórico-religiosa. Evocando a Paixão e a morte de Cristo, a Semana Santa atrai à Vila de Óbidos muitas pessoas, unidas pela devoção ou simplesmente por curiosidade cultural e turismo religioso.
Despertando o maior interesse de ponto de vista cultural e turístico, a Semana Santa desde cedo se revelou como o melhor “cartaz” de Óbidos e inegavelmente, as mais lindas e impressionantes cerimónias religiosas do seu género no Oeste. Por este motivo, em 1963, por intermédio do então, Subsecretário de Estado da Presidência do Conselho, Dr. José Venâncio Paulo Rodrigues, estas cerimónias foram incluídas no programa de promoção turístico “Avril au Portugal”, assumindo uma dimensão que começava a ultrapassar as fronteiras do país.
Com a recente e gradual recuperação das cerimónias da Semana Santa, a comunidade obidense, desde a edilidade aos particulares, motivados e empenhados em manter tradições, tem sabido recolher e refletir sobre os testemunhos que se vão transmitindo de geração em geração, não só a título pessoal, mas também através de fotografias, escritos e recortes de jornais. Muitos dos atuais conhecimentos sobre as cerimónias tradicionais em Óbidos foram coligidos e fazem parte da coleção privada de Albino de Castro e Sousa (…) sendo da sua autoria a atual versão do Auto do Descimento da Cruz, tradição ancestral que remonta, pelo menos, a meados do século XVII.
Este “cartaz” de Óbidos tem o seu início na realização da secular Procissão Penitencial da Ordem Terceira de S. Francisco, vulgarmente conhecida pela procissão da rapaziada, preparando o caminho interior da Quaresma. Nesta manifestação religiosa, desfilam nove andares exuberantemente decorados com flores, onde se exibem alguns dos principais santos da devoção franciscana (quase todas estas imagens datam de 1849). Não se trata afinal de um revivalismo folclórico, mas sim duma manifestação religiosa com raízes profundas e em que se expressa, mais uma vez, o convite de São Francisco de Assis, para a participação dos cristãos numa comunidade despida de valores supérfluos, sobretudo em período de recolhimento, como a Quaresma.
No Domingo de Ramos, num ambiente de oliveira, alecrim, rosmaninho e verdura pelo chão, tem lugar a majestosa a Procissão do Senhor Jesus dos Passos, que percorre algumas ruas tortuosas, fora e dentro das muralhas de Óbidos, parando junto de pequenos evocativos aos Passos da Paixão, culminando na Igreja da Misericórdia, onde se costuma encontrar armado um Calvário, representando a Montanha de Palestina, nas proximidades de Jerusalém onde Jesus sofreu a crucificação.
Este cortejo é aberto por uma figura tradicional, o “gafaú”, que caminha descalça, com a cabeça envolvida por um pano e transporta um instrumento musical, conhecido por “serpentão”. Esta figura representa o carrasco, que caminha à frente da procissão que acompanha o condenado anunciando à multidão que a aproximação do mesmo está para muito breve.
O Auto do Descimento da Cruz culmina com a comovente Procissão do Enterro do Senhor, realizada sem qualquer iluminação, a não ser os archotes que ardem nas mãos de jovens que se colocam em pontos-chave do percurso processional. Esta cerimónia não estando determinada pelas rubricas do Missal Romano, estabeleceu-se em Portugal pela devoção dos fiéis no século XV e princípios do século XVI. Como manifestação cultural, é considerada o ponto alto das solenidades.
No Domingo de Páscoa assiste-se à Procissão Eucarística, com as representações das paróquias e seus lugares, e em que, nos anos sessenta, abria com o andor do Senhor Ressuscitado, magnífica imagem que data do século XVII e que se venerava na Igreja S. Tiago do Castelo.
(texto retirado do livro: RODRIGUES, Carlos Orlando, “A Semana Santa em Óbidos – Coleção e Recortes de Jornal de Albino Castro e Sousa”, Óbidos, Abril de 2004);
– Cartaz