Programa Melhor Idade – Há 20 anos a combater o isolamento e a promover o envelhecimento ativo
O Programa Melhor Idade assinalou, no passado dia 29 de janeiro, 20 anos de dedicação, cuidado e proximidade, num almoço que reuniu 200 utentes dos 11 centros de convívio do concelho de Óbidos.
Uma tarde memorável, que envolveu técnicos, animadores e equipa de Coesão Social da autarquia, membros do Executivo Municipal e de outras entidades, para celebrar duas décadas de um programa que combate o isolamento, e promove o envelhecimento ativo, a inclusão e o bem-estar da população sénior.
“Hoje não celebramos apenas uma data. Celebramos 20 anos de vida partilhada, de encontros, de aprendizagens, de convívio e de cuidado. Celebramos um programa que tem dado tanto a tantas pessoas do nosso concelho. Havia solidão, isolamento. O Melhor Idade veio provar que há sempre tempo, que há sempre lugar, e que há sempre valor em cada pessoa, independentemente da idade”, apontou Soraia Saramago, vereadora com o pelouro da Coesão Social no Município.
Todos os anos, o programa Melhor Idade tem recebido a inscrição, em média, de 190 a 230 utentes. Ao longo de duas décadas, estima-se que mais de 500 pessoas tenham passado pelos centros. “Encontrámos, com emoção, quatro utentes que estão connosco desde 2005, um sinal claro de pertença, confiança e continuidade”.
Ao longo das últimas duas décadas, realizaram-se mais de 100 convívios gerais, com temas tão diversos como o Carnaval, os Santos Populares, os Anos 60, o Ambiente, o Magusto, o Natal, concursos de talentos, desfiles criativos, bailes, karaoke, “e tantas outras iniciativas que trouxeram alegria, movimento e partilha”, sublinhou Soraia Saramago.
O programa promoveu ainda programas de alfabetização, permitindo que muitos idosos assinassem o seu nome pela primeira vez. Criou o Veículo de Apoio Técnico ao Domicílio, que realizou centenas de pequenos arranjos em casas de utentes, e levou a Bibliomóvel aos centros, aproximando livros, histórias e leitura. Realizou cursos e oficinas em informática, bordados de Óbidos, escrita criativa, artes plásticas, e apostou na saúde com unidades móveis, rastreios, saúde oral, segurança na terceira idade, em articulação com várias entidades.
Foram promovidos mais de 600 passeios, proporcionando a estes utentes “experiências que muitos nunca tinham vivido e que ficaram guardadas para sempre na memória”.
Mas este percurso só foi possível “graças às pessoas”, reforçou a vereadora. “Mais de 200 recursos humanos estiveram envolvidos ao longo dos anos, desde animadores socioculturais, professores de ginástica e hidroginástica, psicólogos, sociólogos, nutricionistas, terapeutas, designers, técnicos superiores, voluntários de várias áreas, profissionais de saúde e parceiros externos”.
As pessoas no centro das decisões
Presente no arranque das comemorações, Filipe Daniel, presidente do Município de Óbidos, afirmou que celebrar 20 anos de um programa como o Melhor Idade é, acima de tudo, “reconhecer uma política pública que colocou as pessoas no centro das decisões”.
Ter um programa municipal com 20 anos e orientado para esta franja da comunidade “é uma grande conquista”. Mas “queremos desenvolver mais e melhores condições para que envelhecer seja algo bom, bonito, e que seja uma homenagem a todos vós, pelo tanto que deram ao nosso concelho”, enalteceu.
Na sua rápida intervenção, momentos antes de partir para as zonas do concelho mais afetadas pela tempestade Kristin, o autarca referiu também que “o Melhor Idade mostrou que, investir na população sénior, é investir na coesão social, na saúde, na autonomia e na dignidade. E é precisamente por isso que este programa entra agora numa nova fase da sua vida”.
Com o Plano Estratégico Melhor Idade 2.0, o Município avança agora no sentido da modernização e da valorização do programa, objetivo que contempla a requalificação física e funcional dos centros, a melhoria das condições de conforto, segurança e acessibilidade, e uma aposta forte na atividade física regular, na promoção da saúde, na prevenção da doença e no combate ao isolamento.
Segundo o autarca, o futuro do Melhor Idade está também ligado à aprendizagem ao longo da vida, com uma aposta clara na literacia digital, para que os utentes possam usar novas tecnologias com confiança, comunicar melhor, aceder a serviços e manter-se ligados ao mundo atual. Nesta medida, a criação da Universidade Sénior de Óbidos será um projeto estruturante.
No domínio da saúde, recorde-se, o Município está a preparar novas respostas que reforçam a segurança e a qualidade de vida, como o projeto de Telemonitorização e eSaúde, que permitirá acompanhar melhor cada utente, prevenir riscos e apoiar um envelhecimento mais seguro e saudável, com soluções ajustadas à realidade de cada pessoa.
Este caminho integra-se numa visão mais ampla de coesão social, onde o Melhor Idade se articula com outras respostas fundamentais, como o apoio à construção de Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, o desenvolvimento do CACI – Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão, o trabalho baseado em evidências do Radar Social, e políticas de proximidade.
De acrescentar que a animação do almoço-convívio foi assegurada pela cantora Rosinha, tendo contado com a participação muito especial do Coro do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, num bonito momento intergeracional.