EPIC – Óbidos apresenta novo conceito de trabalho
O Epic – Espaço para Promoção da Inovação e Criatividade abriu na passada sexta-feira portas, em Óbidos, com um conceito de trabalho alternativo, em que todos os participantes contribuem com ideias e soluções para o desenvolvimento de projetos. O conceito, denominado “CoLab” (laboratório de laboração) foi desenvolvido por Pedro Reis e Ron Reis, que, depois de viverem em vários países, escolheram Óbidos para instalar “um espaço de trabalho alternativo”.
Na apresentação deste novo espaço/conceito, Telmo Faria, Presidente da Câmara Municipal de Óbidos, explicou que “este é mais um modelo de trabalho que estamos a testar em Óbidos, tendo em conta a aposta que temos feito na atração de empreendedores das áreas criativas e constitui um desafio relevante, tendo em conta que, em breve, teremos disponíveis os edifícios centrais do Parque Tecnológico de Óbidos. Serão 4 mil metros quadrados, onde se tornará possível responder aos diferentes tipos de necessidades de empresários e empreendedores e onde todos os modelos de trabalho bem sucedidos poderão funcionar de forma harmoniosa. Este é ainda um bom exemplo de como a autarquia gosta de apoiar e colaborar com iniciativas privadas, de forma aberta e simplificada”.
No que diz respeito ao novo espaço de trabalho, a ideia é fomentar a fixação de jovens empreendedores no Espaço para promoção da Inovação e Criatividade (EPIC), um edifício restaurado pela câmara de Óbidos, à entrada da vila, e dotado de espaços de trabalho que podem ser alugados ao mês, à semana, ao dia ou à hora, consoante a necessidade dos interessados.
Uma das particularidades reside no facto de, mesmo quem aluga apenas esporadicamente “ter acesso a todo o espaço, porque não existem salas ou mesas reservadas, existem espaços funcionais para usar conforme o que se está a fazer”, explicou Pedro Reis. Todos os co-utilizadores assumem o compromisso de participar em sessões de ‘brainstorming’ que irão funcionar como “fóruns de discussão que podem ser encomendados por qualquer empresa que precise de novas ideias de desenvolvimento ou de soluções para os seus problemas”, acrescenta.
Um dos primeiros projetos que se pretende desenvolver junta agricultura, habitação e turismo, pondo em prática ideias trazidas dos países nórdicos para utilização de terrenos agrícolas abandonados ou baldios. “Nesses terrenos podem por exemplo ser plantadas flores e depois as pessoas podem ir lá apanhar as flores que quiserem e deixarem numa caixa o dinheiro que acharem justo”, rentabilizando um terreno que até então “não valia nada”. O projeto passa ainda por parcerias com unidades hoteleiras para que os turistas possam ser levados a “terrenos onde é praticada agricultura biológica, colherem eles próprios os vegetais ou frutos, pagarem diretamente ao produtor, mas viverem uma experiência diferente de se limitarem a comprar no supermercado”. Outra das premissas é que o espaço esteja “sempre aberto a novas ideias da comunidade” e os seu utilizadores dispostos a colaborar com a comunidade local, “dando ideias a um padeiro que quer desenvolver o seu negócio de forma mais inovadora” ou agricultores que “querem modernizar a sua forma de cultivo”, exemplifica Pedro Reis.
O espaço que foi na sexta-feira apresentado ao mundo através de um ‘brainstorming’ difundido em direto na internet, abriu oficialmente com a estreia nacional do filme “One Day on Earth” (Um dia na Terra), um documentário sobre a condição humana, filmado em todos os países do mundo, a 10 de outubro de 2010. O documentário contou com a contribuição de milhares de anónimos de todo o planeta que enviaram três mil horas de imagens, escolhidas e editadas pelo produtor Bandon Litman e pelo realizador Kyle Rudddick.
Um exemplo de “co-work” (trabalho partilhado) que se liga com a estratégia que se pretende seguir no espaço EPIC, através do CoLab onde o mote é “fazer as ideias acontecerem”.