Edifícios Centrais do Parque Tecnológico de Óbidos celebram 10 anos com foco na Inovação, na Saúde e no Talento
O Parque Tecnológico de Óbidos, centro de negócios para empresas de base criativa e digital, celebrou na passada sexta-feira (23), 10 anos sobre a inauguração dos seus Edifícios Centrais.
Ao longo da última década, estes edifícios, hoje com mais de 40 empresas, acolheram centenas de ideias, projetos e pessoas que ajudaram a transformar Óbidos num território mais dinâmico, criativo e voltado para o futuro.
A celebração, integrada no programa do Feriado Municipal de Óbidos, foi um momento de reconhecimento do caminho percorrido, de renovação do compromisso com o desenvolvimento tecnológico, a colaboração e a criação de valor para a região, e de lançamento de uma visão ambiciosa para o futuro, centrada na inovação, na saúde, e no talento.
Na abertura da sessão, Nuno Gaio, diretor-executivo do parque tecnológico, destacou o percurso construído ao longo dos últimos 10 anos como resultado de um projeto coletivo, sustentado numa estratégia clara e numa forte articulação entre entidades públicas, privadas e académicas. “O Parque nasceu para ser mais do que um conjunto de edifícios: nasceu para ser uma infraestrutura económica ao serviço do território, da sua base empresarial e das pessoas que aqui vivem e trabalham”.
O responsável reforçou que o futuro do parque passa pelo reforço do seu papel enquanto ecossistema de inovação. O desenvolvimento de um hub de saúde e tecnologia, capaz de responder a desafios globais – como a escassez de profissionais de saúde – através da inovação tecnológica, da investigação aplicada e da colaboração com a academia, é uma aposta clara da atual direção executiva.
Entre as prioridades preconizadas pela Estratégia 2026-2030 está a “atração de empresas-âncora em digital, gaming, media, indústrias criativas, saúde digital, biotecnologia e agrofood tech ligada à economia circular e alimentação sustentável”. A retenção e o crescimento das empresas residentes, a internacionalização, o talento e a ligação ao ensino, à saúde e ao agroalimentar, são outros dos objetivos preconizados para aquele horizonte temporal.
“Tudo isto é feito num quadro muito claro de responsabilidade institucional”, apontou Nuno Gaio. “A estratégia para o parque não existe sem considerar a estratégia do município nem à margem do território. Existe ao serviço da estratégia de desenvolvimento económico, de inovação, de saúde e de sustentabilidade do concelho e da região Oeste”. Por isso, “falamos em reforçar a sustentabilidade e diversificar fontes de financiamento. Falamos de alinhamento estratégico com o Município, com a OesteCIM, e com as estratégoas nacionais e europeias em inovação, transição digital, saúde e economia circular, posicionando o parque como plataforma local de execução dessas agendas”.
“O que propomos para o parque é, em suma, uma mudança de escala e de profundidade”. “De um parque que acolhe empresas para uma plataforma de inovação público-privada que articula digital, gaming e indústrias criativas, saúde digital, biotecnologia aplicada e agro/food tech, em ligação direta com o território e com o sistema científico e tecnológico”.
“O desenvolvimento económico é uma prioridade para este executivo”
A encerrar a sessão, Filipe Daniel, presidente da Câmara de Óbidos, reforçou o papel do Parque Tecnológico como eixo estruturante do desenvolvimento económico do concelho, defendendo que a inovação e a atração de empresas são uma prioridade estratégica do Município. “O desenvolvimento económico é para nós fundamental”, afirmou, sublinhando a necessidade de criar condições para fixar empresas, captar talento e garantir emprego qualificado, com impacto direto na vida das famílias e na capacidade de o território reter os seus jovens.
O edil destacou ainda que Óbidos pretende continuar a afirmar-se como um território com centralidade e capacidade de atrair investimento, defendendo respostas mais ágeis e menos burocráticas.
“Da nossa parte, aquilo que humildemente fazemos é dar-vos a resposta no tempo que vocês considerem necessário”, disse, acrescentando que o Município estará sempre disponível para “um contacto fácil, rápido, seja através de uma chamada telefónica, por e-mail, uma conversa, uma reunião”.
Edifícios Centrais: o projeto com maior visibilidade de Jorge Mealha
Presente nas celebrações da passada sexta-feira, Jorge Mealha, responsável pelo projeto de arquitetura dos Edifícios Centrais do Parque, recuou até 2010, ano de lançamento – por parte do Município – do concurso internacional para desenhar os edifícios centrais e a praça principal para o Parque Tecnológico de Óbidos.
Durante o seu testemunho, Jorge Mealha contou que uma das melhores memórias de que se recorda, em todo o processo de criação do espaço, prende-se com “o grau de resistência e de cumplicidade gerado entre pessoas que não se conheciam”.
O arquiteto destacou ainda que, “para além de ter conhecido gente muito interessante e de ter tido a oportunidade de fazer parte” desta empreitada, o projeto dos Edifícios Centrais do Parque Tecnológico de Óbidos acabou por ser o seu projeto mais conhecido. “Um projeto muito premiado”, presente em “várias publicações da especialidade, e visitado por muitas escolas de arquitetura”. Foi, no fundo, “um ponto de viragem e de reconhecimento que se consolidou com este edifício”.
“Desejo que o parque seja dínamo para um crescimento”, como, de resto, tem acontecido até aqui. Porque “o meu maior pavor era estar a ser cúmplice de um ‘elefante branco’”.
De acrescentar que o programa comemorativo incluiu ainda a visualização de um vídeo institucional com todos os rostos que fizeram parte dos últimos 10 anos de edifícios centrais, e uma mesa-redonda empresarial que reuniu diferentes percursos e gerações do parque.
Moderada pelo diretor executivo da OesteCIM, Paulo Simões, dela fizeram parte Nuno Prego Ramos, da Valvian – empresa que se prepara para instalar, no parque, um centro de biotecnologia -, José Paulo Carvalho, founder da health tech HopeCare, Ricardo Cardoso, CEO da Impactwave, Agriw e JSIO, e ainda Luís Cunha, CEO da Softpack.
A encerrar, o descerramento de uma placa comemorativa, assinalando a importância do parque tecnológico na vida do território e na evolução do ecossistema empresarial local e regional.