Discurso presidente da Câmara Municipal de Óbidos – Inauguração da Nova Josefa

Hoje é um dia muito importante para a vida do nosso concelho, pois fechamos, com esta inauguração, um ciclo de construção de equipamentos escolares de excelência educativa, criando espaços e oportunidades de um nível comparável aos melhores do Mundo.

Este ciclo, iniciado em 2004 e fechado hoje, garante-nos muito trabalho, mas sobretudo a perspetiva de um sistema educativo capaz de preparar as novas gerações para um futuro com esperança.

Este trabalho teve, tem e terá rostos e é a eles que quero fazer um agradecimento público justo:

Aos Pais, que desde sempre nos acompanharam neste sonho, mesmo quando foi necessário deslocalizar os seus filhos da sua própria aldeia. A estes Pais, que sempre tiveram a coragem de defender o projeto, sem hesitar em colocar os seus filhos nas nossas escolas, mesmo detetando algumas falhas e sugerindo mudanças.

Às Associações de Pais e Encarregados de Educação que, ao longo deste percurso, sempre tiveram com uma atitude pró-ativa.

Aos alunos que, mediante a tentação de saírem para outros territórios em busca de novas experiências, resistiram e escolheram as nossas escolas para aprender.

E àqueles que, por vezes pressionados pelas suas famílias para procurarem outros estabelecimentos de ensino, optaram por ficar nestas escolas que orgulham e dignificam o nosso Concelho.

A todos os professores, educadores, animadores e restantes colaboradores, que perante algumas adversidades conseguiram encontrar novas soluções e manter o seu nível de motivação para, em conjunto, prepararem melhor o nosso futuro, a partir de gerações mais bem preparadas. É este o espírito que o País precisa!

Ao José Manuel Rodrigues, timoneiro desta vasta e incansável equipa – os não docentes – que, contra ventos e marés, impulsionou esta grande nau.

À Drª Ana Sofia Godinho e à sua equipa pela forma empenhada como souberam criar, inovar, motivar e estabelecer redes europeias para a construção de vários programas educativos que procuraram responder a um enorme desafio: mais conhecimento e mais competências, a partir de outras abordagens de ensino e de aprendizagem.

A todos os voluntários, alguns em trabalho contínuo há mais de 3 anos, conceptualizando, criando e efetivando projetos inovadores.

Ao professor Fernando Jorge e ao atual presidente do CAP, Professor José Manuel, e à restante equipa, pela dedicação e pelos préstimos que sempre depositaram na Educação, ajudando-nos a construir um novo paradigma para a Educação. Também pela forma como se têm empenhado na preparação deste próximo ano letivo, com um reforço da oferta educativa, num ambiente de escola municipal, tentando posicionar o aluno no epicentro do sistema educativo.

A todos os executivos de Juntas de freguesia, que em boa hora entenderam que o melhor para a Educação seria a centralização das 24 escolas em 3 grandes complexos escolares, mesmo que essa decisão custasse alguma incompreensão das suas populações no curto prazo. Esta foi uma reforma difícil, mas revestida de muita coragem e que hoje já começa a evidenciar os seus resultados e com o apoio total da população. Valeu a pena!

Aos técnicos do serviço de empreitadas e da sua chefe de divisão, pela dedicação e resposta pronta para que fosse possível lançar a obra em tempo oportuno para garantir os financiamentos no âmbito do QREN.

Aos nossos projetistas, Arquiteta Maria José Pato e demais técnicos de especialidades que souberam interpretar a visão e o programa do executivo para esta escola de forma extraordinária, deixando-nos aqui uma escola possível de ser comparada com as melhores do Mundo.

À ex-Vereadora Rita Zina, pela forma como conduziu esta vasta equipa de projetistas, capaz de produzir estes projetos, programa de concurso e caderno de encargos em tempo recorde (cerca de 72 horas ininterruptas) para assegurarmos todas as condições exigidas para concorrermos aos fundos comunitários. Na verdade teve um duplo papel: o de vereadora e o de arquiteta.

Aos fiscais da obra, Eng.º. Luís Almeida, Eng.º Nuno Cerejeira, Arq. Mafalda Sousa, Eng.º Luís Lacerda e ao chefe de Divisão Eng.º Carlos Pardal, pela forma irrepreensível como conduziram o seu trabalho durante a execução desta obra, procurando responder de forma rápida a todos os problemas que se foram colocando, beneficiando um Concelho com uma escola que, certamente, nos orgulhará. Isto tudo sem trabalhos a mais. Este é um facto inédito numa obra desta envergadura.

Ao empreiteiro e subempreiteiros desta obra, nas pessoas do Sr. Joaquim Costa, Eng.º Rui e Eng.º Sérgio, pela total disponibilidade de cooperação com os nossos técnicos na busca de soluções aos problemas que foram surgindo ao longo da obra. Estou certo que só essa disponibilidade e capacidade técnica nos permitiram chegar aqui.

Ao Diretor Geral da DGEST, José Alberto, pela total disponibilidade e cooperação, dentro das excessivas regras vigentes, mas que em tudo o que foi possível nos ajudou a construir parte desta oferta educativa para o próximo ano letivo dentro de um espírito de escola mais próxima do território.

Ao Ministro Nuno Crato, pela forma como conseguiu manter o financiamento da contrapartida nacional em circunstâncias muito difíceis para o País. Lembro que, na época, o País vivia a iminência de enorme contração de investimento face à contingência das contas públicas. Acredito que hoje, mais do que à época, está seguro da excelente decisão que tomou em conjunto com o Governo Nacional.

Ao Ministro Miguel Poiares Maduro, pelo apoio e confiança que sempre depositou em nós na matéria da Educação, designadamente na territorialização da mesma, através do Programa Aproximar a Educação. Aliás, de forma justa foi sempre um forte aliado, por convicção, na defesa da escola mais próxima da comunidade. É certo que ainda temos diferenças de opinião em matérias menores, mas estou certo que saberemos aproximarmo-nos, como, aliás, tem vindo a acontecer neste longo e duro processo.

É justo referir também o empenho do Sr. Ministro da Educação neste Programa, que, apesar da oposição gratuita e incompreensível de um líder sindical, não se deixou vergar ao interesse maior, que é o aluno. Todavia, considero que precisamos de ir mais longe, necessitamos dotar estes projetos-piloto, com maior autonomia, assente em maior corresponsabilização sociocomunitária. Quero dizer, é preciso dotar o Conselho Municipal de Educação de competências deliberativas e, ao mesmo tempo, uma escola com mais autonomia, para que a capacidade efetiva em encontrar alternativas de resposta aos problemas particulares de cada território possa produzir melhores resultados educativos.

À Professora Ana Abrunhosa, atual presidente da CCDRC, e à Drª Isabel Damasceno, Vogal do Mais Centro, pela forma como confiaram e acreditaram e até investiram cerca de 5M€ nesta obra, num momento particularmente difícil, pois que, ao momento da decisão, o Mais Centro vivia uma realidade absolutamente catastrófica: entre o valor dos projetos aprovados e verba que tinham disponível, na sequência da reprogramação do QREN, tinham um deficit de 140M€. Ainda assim, pela pressão que fizemos, pela força da razão e da importância estratégica deste investimento para o futuro, não hesitaram em sacrificar outros investimentos para apoiar este. Creio que hoje têm razões redobradas para se sentirem felizes e com a consciência tranquila pela boa decisão que tomaram.

Ao atual Presidente da Assembleia Municipal e Ex-presidente da Câmara, Dr.º Telmo Faria, e ao seu Executivo, onde tive o privilégio e a honra de trabalhar, pela visão e dinamismo que imprimiu na Educação. Este líder teve a visão e a capacidade de pensar a Educação no território, numa perspetiva de melhoria dos resultados educativos, aliando uma reforma de fundo na reorganização das escolas – passando das 24 escolinhas, para 4 grandes complexos escolares – com a conceção de complexos escolares que permitirão uma organização de espaços indutores de novas abordagens e metodologias de ensino e de aprendizagem conducentes a melhor Educação e a gerações mais bem preparadas para os desafios do futuro. Pensou a Educação de forma sistémica e imprimiu, desde cedo, a criação de redes internacionais, com o objetivo de transferência de conhecimento para novas metodologias de ensino que integrassem a Educação no território.

Por último, à equipa de vereadores e gabinete de apoio que me acompanha, pela forma como têm sabido corporizar e concretizar nas diferentes dimensões, seja na construção do edifício, seja na construção do Programa de Oferta Educativa e na conceptualização da escola do futuro. Obrigado pelo vosso apoio, pela paciência e persistência que têm tido para responder aos desafios que vos tenho colocado. Tenho muito orgulho nesta magnífica equipa!

Neste final de ciclo importa recordar, para além das pessoas e dos seus contributos, o investimento de mais de 25 M€ no hardware, em creches, jardins-de-infância, 3 complexos escolares, um deles reconhecido pela OCDE como um dos melhores 100 do Mundo, e, por último, a Nova escola Josefa de Óbidos, equipada com laboratórios de excelência, só vistos nas melhores universidades de ciências em Portugal, com o cooking a Live, Quadros interativos conjugados com equipamentos informáticos de top, espaço colaborativo, salas de excelência, wi-fi em toda escola, espaços exteriores que convidam os nossos alunos a sentirem-se mais integrados e com uma diversidade de espaços aprazíveis para estudarem.

Ainda assim, o investimento que temos vindo a fazer vai para além do hardware que vos acabei de referir. Esta autarquia em software investiu, desde 2004, mais de 17 M€ em programas como o crescer Melhor, AEC (Inglês, Música), Pensar Colorido, Fábrica da Criatividade, Ateliê Criativo, Óbidos Anima, Story Center, rede de transportes, entre outras, com uma comparticipação apenas de 10 por cento por parte da administração central, face ao nosso nível de investimento.

Fizemos e continuaremos a fazer este investimento conscientes que educar é preparar as futuras gerações para desafios cujo conteúdo pouco se conhece e padrões de vida diferentes daqueles que vivemos, fomentando uma inteligência emocional e criativa, apostando numa cidadania menos dramática e mais ativa, participada e responsável. Acima de tudo, porque estamos conscientes que a educação deve projetar soluções e dar competências às nossas crianças e jovens para pensarem o mundo e agirem sobre ele. Esta é uma realidade que não podemos ignorar!

Por essa razão, iniciámos este mandato com uma pretensão clara junto do Governo para darmos sequência ao investimento que temos vindo a fazer e em que acreditamos muito. Hoje temos mais razões para acreditar que estamos próximos de chegar a um acordo com o Governo para continuarmos este longo caminho de construção da escola do futuro.

Apesar de sentirmos que estamos próximos de um acordo, não deixámos de apresentar já para o próximo ano letivo um conjunto de novas ofertas educativas, designadamente: Equipas Multidisciplinares, Yoga, ensino integrado de dança, Filosofia para crianças, o programa My Machine, Cursos Vocacionais com toda a componente técnica trabalhada em articulação com o Parque Tecnológico de Óbidos e as empresas e associações locais, Co.lab at School, oficinas de Eco Design, línguas do espanhol e alemão a partir do 2º ciclo, cursos profissionais de Programação e jardinagem com abordagens de ensino e aprendizagem diferentes daquilo que temos vindo a assistir. Naturalmente que esta nova oferta implicará um aumento da despesa de investimento anual de cerca de 200.000€.

Esta é uma escola construída por todos sem exceção: pais, alunos, educadores, professores, animadores, colaboradores e restante comunidade. Esta não é uma escola que possa ser construída apenas por um Executivo e, muito menos, com uma sincronização com o calendário autárquico. O desafio que temos para a escola do futuro passará por vários presidentes de câmara e seus executivos e por várias gerações. Todos seremos corresponsáveis pela Escola Municipal.

E é neste sentido de corresponsabilização que, todos juntos, sonhámos a Escola do Futuro. Permitam-me que vos apresente este sonho coletivo:

A Escola do futuro terá espaços pensados para estarem ao serviço da educação, ambientes educativos inovadores, espaços de aprendizagem que se reorganizam e se recriam em função dos desafios mutáveis da contemporaneidade.

Na Escola do futuro, o professor terá um novo papel – mais complexo do que o de transmitir informações. Terá uma preparação em competências mais amplas, além do conhecimento do conteúdo, como saber adaptar-se ao grupo e a cada aluno, planear, acompanhar e avaliar atividades significativas e diferentes, pois o seu foco será promover as aprendizagens, respondendo assim aos desafios da sociedade do conhecimento, fazendo com que todos os alunos tenham verdadeiramente sucesso. Ser professor será ser articulador das etapas individuais e grupais, acompanhando, mediando, analisando os processos, os resultados, as lacunas e as necessidades, a partir dos percursos realizados pelos alunos individualmente e em grupo. Assim, o professor da Escola do Futuro compreenderá a importância das aprendizagens, instaurando formas novas de pensar e de trabalhar na escola, construindo um conhecimento que se inscreve numa trajetória pessoal.

Na Escola do Futuro, o equilíbrio entre o velho e o novo será conseguido através de uma permanente atitude reflexiva e crítica construtiva da ação, conduzindo à criação de novas práticas e de processos inovadores que capacitem os agentes de novas competências para fazer face a um novo progresso. O mediador da escola do Futuro terá uma ação complexa e transdisciplinar, reconhecendo que o conhecimento escolar e local tem de estar mais próximo do conhecimento científico e da complexidade que ele tem vindo a adquirir nas últimas décadas.

A Escola do Futuro terá salas e espaços informatizados com software adequado ao percurso, ao ritmo e à forma de aprendizagem de cada aluno. Ao fazer o uso correto das tecnologias e de todos os suportes de saber que a escola tem ao seu dispor, o professor será um mediador e facilitador de processos ricos de aprendizagens significativas, criando desafios e atividades que realmente trazem as competências necessárias para cada etapa, que solicitam informações pertinentes, que combinam percursos pessoais com participação significativa em grupos, auxiliados por plataformas adaptativas que reconhecem cada aluno e ao mesmo tempo promovem a interação, tudo isso utilizando as tecnologias e metodologias adequadas. Desta forma, os alunos serão autores e protagonistas do seu processo de aprender.

No futuro, a Escola reinstituir-se-á como lugar central do ensino e da aprendizagem, do conhecimento e do desenvolvimento pessoal.

A Escola do Futuro será uma escola à medida de cada aluno, onde “sucesso” terá um novo significado: serão escolas com sucesso e de sucesso aquelas que estiverem abertas à diferença e às quais for dada liberdade de organização, de construção de diferentes projetos educativos, de definição de percursos escolares e de currículos diferenciados, e onde a inovação e a experimentação, devidamente acompanhadas e avaliadas, se instituem como processos naturais.

Na escola do Futuro, colocam-se as aprendizagens, em toda a sua riqueza e dimensão, no centro das preocupações. Sem perder de vista que há um currículo nacional que constitui uma base comum de conhecimentos, a Escola do Futuro promoverá diferentes vias de escolaridade, percursos adaptados às inclinações e aos projetos de cada aluno, em articulação com o contexto territorial. O insucesso e o fracasso deixarão de ser fatalidades impossíveis de contornar, mas cada um reencontrará um sentido para a escola, alcançando verdadeiramente o sucesso – o sucesso à sua medida.

Por outras palavras, a Escola do Futuro mudará o paradigma: procurará as melhores formas de aprender, que não coincidem necessariamente com as melhores formas de ensinar.

A Escola do Futuro recentra-se no papel da escola, sem transbordamentos, e articula-se no Espaço Público da Educação, onde as diversas entidades que constituem a comunidade são envolvidas no processo, com responsabilidades partilhadas na reconstrução de solidariedades, de espaços de convivialidade, de vida social e cultural. O Futuro da Escola passa pela capacidade de recuperar práticas antigas – familiares, sociais, comunitárias – enunciando-as no contexto de modalidades novas de cultura e de educação. Delas depende, em grande parte, a renovação do espaço público da educação.

Na Escola do Futuro, a definição e execução das políticas educativas, a ação dos atores será determinada por uma lógica de implicação, de desmultiplicação e horizontalização das responsabilidades.

A Escola do Futuro alicerça-se numa verdadeira territorialização – enquanto processo de apropriação por uma determinada comunidade de diversos espaços sociais – baseada no princípio da mobilização enquanto forma de reunião de um núcleo de atores com o fim de empreenderem uma ação coletiva.

Em Óbidos, pensámos o futuro no presente: organizámos o presente de maneira que permita atuar sobre o futuro.

Em Óbidos, a Escola do Futuro já começou!

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