D. Maria I em destaque no Museu Municipal
A peça em destaque no mês de fevereiro nos Museus d’Óbidos – Museu Municipal é o retrato de D. Maria, numa pintura a óleo sobre tela, dos finais do séc. XVIII, de autor desconhecido. Esta é mais uma obra que permite viajar atrás no tempo e perceber mais um pouco da nossa História.
D. Maria I nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734, recebendo o nome de batismo de Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816, estando sepultada na Basílica da Estrela. Casou em 6 de Junho de 1760 com o seu tio, o infante D. Pedro, que era príncipe do Brasil e veio a ser, pelo casamento, o rei consorte D. Pedro III. Do casamento nasceram: D. José, príncipe da Beira e duque de Bragança; D. João, infante de Portugal; D. João VI, que sucedeu no trono; D. Maria Clementina; D. Maria Isabel e D. Mariana Vitória Josefa. Rainha de Portugal, a primeira rainha que por si só governou e empunhou o cetro, por não haver príncipe varão, e não existir em Portugal a lei sálica, que afastava as mulheres do governo do estado. Começou a governar a 24 de Fevereiro de 1777, dando início à chamada “Viradeira”, isto é, a virada do regime que trouxe ao poder os inimigos do Marquês de Pombal, que realmente governara o país no reinado do seu pai. Foram notáveis os primeiros anos de governo, facilitados pela grande expansão comercial portuguesa no Atlântico. As mortes do marido e do príncipe herdeiro (1786 e 1788) debilitaram-na tão seriamente que em 1792 manifestava evidentes sinais de loucura. Apesar disso, pode-se dizer que reinou durante 15 com muita lucidez, e quando essa lucidez se esvaeceu, foi sabiamente afastada da governação. Considerada uma figura culta, amante da música e da pintura, de temperamento doce e melancólico e extremamente devota. Embarca para o Brasil com a corte em 1807, vindo a falecer no Rio de Janeiro em 1816.
D. Maria esteve em Óbidos em 1782, tendo ficado instalada no Solar dos Brito Pregado, (atual Museu Municipal), altura em que o Solar foi reparado e melhorado para receber a estada da Família Real, conforme faz eco a dupla de placas colocadas no exterior, que prestigiam e honram a casa e a família dos Brito Pegado. A Família Real refugiou-se aqui devido às doenças que empestaram as Caldas da Rainha e que afetaram a Princesa D. Mariana, de 11 a 19 de Outubro do ano em questão e homenagearam os seus anfitriões com o colocar das placas comemorativas. Dez anos mais tarde, em 1792 foi edificado o Chafariz de D. Maria, mandado construir pela própria, localizado fora de muralhas.