“Crescidos ajudam os pequenos nos trabalhos”

Para este Hangout, Jorge Vitorino dos Santos, o implementador do COlab at school na Escola Josefa de Óbidos, trouxe ao COlab Óbidos Matilde Monteiro e Fernando Jorge Silva para falarem sobre os projetos e desafios do processo educativo em Óbidos, em conversa informal com quem conhece a escola por dentro e por fora.Para este hangout Jorge Vitorino dos Santos, o implementador do Colab at School na Escola Josefa de Óbidos, traz ao Colab Óbidos Matilde Monteiro, Fernando Silva e José Manuel Rodrigues para uma conversa sobre os desafios e projetos do processo educativo em Óbidos, em conversa informal com quem conhece a escola por dentro e por fora

Matilde Monteiro, professora e mentora do projeto “Escola na Horta”, começou por referir que há uma escola paralela riquíssima (a televisão, por exemplo) com a qual a escola não pode competir, mas pode articular na promoção do conhecimento e, em última instância, da sabedoria. No vídeo de uma apresentação do seu projeto num evento TEDx Lisboa, refere que “a escola continua fechada, enquanto o mundo cá fora se modifica velozmente”, e disse que teve sorte, pois conseguiu “liberdade total” para a concretização do seu projeto.

Como?

CORREDORES DE LIBERDADE na escola
“Os professores estão reféns dos programas e dos decretos porque querem”. A professora afirmou que é preciso desafiar os poderes. Salientou que a escola Josefa de Óbidos foi pioneira a lançar os Cursos de Educação e Formação (CEF) sem completa autorização do Ministério da Educação, tendo sido os resultados positivos que contornaram as limitações legais. É preciso coragem, adiantou, pois “as verdadeiras mudanças educativas fazem-se na própria escola.
Fernando Jorge Silva, o experiente diretor agora aposentado, referiu que as leis e os despachos normativos uniformizam o sistema educativo, mas há corredores de liberdade que a escola pode e deve explorar, sem pôr em causa os diplomas. Como exemplo, referiu a ‘luta’ pela formação de turmas de cursos profissionais com duas áreas diferentes, no sentido de proporcionar as ofertas educativas adequadas aos interesses dos alunos.

IDENTIDADE
Jorge Vitorino Santos, moderador deste debate, questionou os convidados sobre a identidade da escola, e se esta assentava numa espécie de “rebeldia”. A resposta de Fernando Silva foi que assentaria mais numa recusa em aceitar o ‘não’, uma identidade combatente que se soube afirmar nos momentos decisivos para construir a escola. Matilde Monteiro reiterou que os corredores de liberdade são o que pode criar a “identidade pedagógica” da escola nos desafios de como ensinar e como aprender.

CRIATIVIDADE
Pedro Reis, mentor do COlab Óbidos, diz que é preciso fazer em conjunto para criar e que implementar ideias de sucesso proporciona confiança para novas ideias. É este, na sua opinião, o sentido de criatividade. O COlab at school pode ser um exemplo disso mesmo – um conceito levado para a escola para criar condições para que a confiança e o trabalho colaborativo gerem novas ideias.
Thomas Schittek, artista plástico e ceramista, quando questionado sobre o papel da criatividade na criação de uma identidade da escola, referiu que “é preciso abrir caminhos na comunicação entre os jovens que os aproximarão da criatividade”.
A professora Matilde Monteiro acrescentou que nenhuma criança será um adulto criativo, se não tiver a capacidade de se emocionar, referindo que o treino da emoção e a interrogação são o ‘fermento’ da criatividade.

COMUNICAÇÃO
Andreia Carvalho, professora, coach educacional e formadora de “Coaching em contexto escolar”, afirmou que a comunicação é o invólucro de tudo, pois é o princípio do encantamento, o nosso olhar interno que nos permite a abertura ao outro, o que sabemos e o que possuímos para construir o conhecimento, em partilha com os nossos pares. Acrescentou que nem sempre é fácil, sendo necessário um processo de reeducação dos próprios educadores e a construção de novas respostas educativas, assentes na partilha. É fundamental criar novas condições de comunicação.

SONHOS
Cristina Nobre Soares, escritora e mentora do projeto DreamLab, afirmou que a passagem de testemunho é o que nos faz ser aquilo que somos, referindo-se à importância do papel desempenhado pelo professor – “A paixão pelo conhecimento que ensinamos é fundamental”.

AFETOS
Lusmarina Schittek, arquiteta  e Colaber, acha que uma escola com afetos é muito importante. As ações dos pais junto da escola são tanto mais fáceis, quanto melhor sentirem que os filhos fazem parte do conceito educativo. Andreia Carvalho acrescentou que o respeito e toda a componente emocional é determinante no processo educativo, na própria crença no sucesso educativo.
A terminar este Hangout sobre Escola e Comunidade(s), Fernando Silva deixou um alerta: é preciso equilíbrio para não ‘derrapar’ nos “corredores de liberdade”.

Texto: Jorge Vitorino dos Santos
Foto: Ana Varela (COLab Óbidos)

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