1ª Conferência Nacional do Chocolate debateu inovação, conhecimento e futuro do setor

Óbidos acolheu esta quarta-feira, 30 de setembro, na Praça da Criatividade, a 1.ª Conferência Nacional do Chocolate, uma iniciativa promovida pela AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, através da sua Plataforma Nacional do Chocolate.

Sob o mote “Inovação, Conhecimento e Futuro”, a conferência juntou profissionais, produtores, empresários, chefs, mestres chocolateiros, representantes da indústria, professores, estudantes e outros agentes ligados ao setor, e marcou um novo momento no percurso que Óbidos tem vindo a construir em torno do chocolate – iniciado em 2002 com a primeira edição do Festival Internacional de Chocolate e aprofundado, ao longo dos anos, através da criação de novas estruturas, parcerias e oportunidades de formação e negócio.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Filipe Daniel, destacou precisamente este percurso, sublinhando a importância de transformar a notoriedade conquistada pelo território em conhecimento, qualificação e atividade económica com continuidade.

“Reunir aqui quem produz, transforma, ensina, investiga e cria negócios é dar continuidade a um caminho que Óbidos tem construído com persistência”. Ao longo de 24 anos, o chocolate passou a fazer parte da identidade do território, mas o desafio que temos agora é “aprofundar essa relação e transformá-la em conhecimento, qualificação, emprego e novas oportunidades”, afirmou Filipe Daniel.

O autarca recordou alguns dos principais momentos desta estratégia, nomeadamente a criação da Óbidos Chocolate House, em 2022, enquanto espaço de produção local, a assinatura, em 2024, do protocolo entre o Município e o Turismo de Portugal para a criação da Academia Internacional do Chocolate, ligada ao pólo de Óbidos da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, e a instalação, em 2025, da Plataforma Nacional do Chocolate no concelho, através de um protocolo entre a Câmara Municipal e a AHRESP.

Esta rede alargou a cooperação a empresas, profissionais, municípios, instituições de ensino e investigação, criando uma plataforma de partilha de conhecimento e de desenvolvimento de novas oportunidades para o setor.

“Queremos que um jovem encontre aqui condições para aprender uma profissão e que quem já trabalha possa aperfeiçoar técnicas e desenvolver novos produtos. A qualidade da formação deve traduzir-se em oportunidades de carreira e em maior capacidade de resposta das empresas”, sublinhou o autarca.

A dimensão nacional da iniciativa foi também destacada pelo presidente da AHRESP, Carlos Moura, que salientou o reconhecimento da gastronomia portuguesa como um eixo estratégico das políticas públicas e de valorizar as plataformas nacionais enquanto instrumentos de ligação entre profissionais, empresas e territórios.

O presidente da AHRESP destacou ainda a importância de criar plataformas de âmbito nacional capazes de aproximar diferentes regiões e de dar visibilidade ao trabalho desenvolvido fora dos grandes centros urbanos.

Da tradição à inovação

A conferência promoveu o debate sobre diferentes dimensões do setor, cruzando tendências de consumo, sustentabilidade, inovação, marketing, formação e desenvolvimento profissional.

O programa incluiu sessões sobre os temas “O Futuro do Chocolate: Tendências e Sustentabilidade”, com a participação da Puratos e da Paccari, “Marketing e Branding: Conectar com o Consumidor”, com Patrícia Lopes, representante da Nestlé Portugal, “Inovação Disruptiva – O Caso do Chocolate”, com Rui Mota, e ainda “O Talento do Chocolate: Formação, Carreira e Desenvolvimento Profissional”, com a participação da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste.

O chef chocolatier Francisco Siopa conduziu a sessão “Do Fruto à Excelência”, dedicada ao percurso do fruto ao chocolate, enquanto as Oficinas de Gastronomia Histórica, com Eduardo Vicente, João Pedro Gomes e Luís Gomes, apresentaram a sessão “Da Tradição à Afirmação”, numa abordagem que cruzou conhecimento, storytelling e prova.

A conferência incluiu ainda momentos de degustação e experiências dedicadas ao chocolate, proporcionando um espaço de encontro entre diferentes áreas e profissionais ligados à cadeia de valor.

Para Filipe Daniel, o próximo passo passa precisamente por transformar a rede criada em projetos concretos ao longo do ano, aproximando escolas e empresas, desenvolvendo experiências de turismo gastronómico, e criando produtos com identidade territorial.

“Há espaço para aproximar escolas e empresas através de estágios e projetos de produto, para desenvolver experiências de turismo gastronómico, e para criar chocolate com identidade própria, explorando combinações com a ginja e outros produtos da região, com qualidade e capacidade de chegar a novos mercados”, afirmou.

“Para Óbidos, o sucesso desta estratégia deve sentir-se na vida das pessoas: em emprego qualificado, em melhores perspetivas para os jovens, e em negócios capazes de crescer. Queremos que cada participante saia daqui com uma ideia para desenvolver e um contacto com quem a concretizar”, concluiu.

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