“Lugares de Outrora”: um projeto que fala de pessoas, de memórias e de identidade

O Município de Óbidos apresentou, na passada semana, na Praça da Criatividade, a iniciativa “Lugares de Outrora”, um projeto da autarquia desenvolvido pela Química Criativa que dá rosto e voz às memórias, tradições e raízes das freguesias do concelho.

Ao longo de sete episódios, é feito um retrato vivo das gentes, dos ofícios e dos modos de viver que marcaram a identidade deste território, através do testemunho de uma geração com menos informação e desenvolvimento tecnológico. Recordam-se momentos marcantes do progresso, como as primeiras emissões televisivas, a chegada da eletricidade e da água canalizada, ou o impacto dos primeiros tratores e automóveis na vida das aldeias. São abordadas profissões e costumes antigos ligados à criação de gado, cerâmica, agricultura e produção de pão artesanal, evocando os tempos em que os moinhos de vento transformavam os grãos em farinha e o trabalho se fazia de sol a sol.

A faina da Lagoa, a pesca e a apanha de limo, utilizado para adubar os campos, bem como a curiosidade e a perseverança de alguns habitantes, levaram ao desenvolvimento de novas ferramentas e técnicas de pesca e de apanha de marisco. Lendas como as da “Casa da Moura” e do “Bicho do Vau” completam este registo, “um projeto de grande importância para a comunidade obidense”, definiu Filipe Daniel, presidente do Município de Óbidos. “Um projeto que fala de pessoas, de memórias e de identidade”.

“Vivemos tempos muito rápidos. Tudo passa depressa, tudo parece substituível e, muitas vezes, não temos tempo para parar e ouvir. E é precisamente por isso que este projeto é tão importante. Porque nos convida a abrandar, a escutar e a dar valor àquilo que não pode ser recuperado se se perder, ou seja, a memória viva das nossas comunidades”, apontou.

“Aqui falamos das tradições, da cultura popular, das profissões antigas e dos costumes que definem quem somos. Falamos de saberes que passaram de geração em geração e que hoje correm o risco de se perder com o tempo. Falamos de um modo de viver mais ligado à terra, ao trabalho manual, à entreajuda e ao ritmo da natureza. Este é um projeto muito centrado nas pessoas. Nas pessoas que marcaram as suas freguesias de forma simples, mas profunda. Mais do que registar factos, o ‘Lugares de Outrora’ procura preservar emoções, histórias de vida e memórias sentidas”.

O projeto é composto por um conjunto de sete vídeos, um por cada freguesia do concelho. O primeiro, apresentado quarta-feira, 21 de janeiro, retrata a freguesia de Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa, e teve como protagonistas a D. Undestina, a D. Melânia, o Sr. António Silva e a D. Jesuína. Os próximos vídeos serão apresentados por ocasião das celebrações dos dias das freguesias.

“Manter vivas as tradições não é viver agarrado ao passado. É garantir que o futuro tem raízes. É permitir que os mais novos saibam como se vivia, como se trabalhava e como se celebrava. É criar pontes entre gerações e reforçar o sentimento de pertença a uma comunidade com história, com valores e com identidade”, concluiu Filipe Daniel.

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